Eutanásia

Jovem do cartaz "Por favor não matem os velhinhos" defende-se no Facebook

Jovem do cartaz "Por favor não matem os velhinhos" defende-se no Facebook

A jovem que foi fotografada a segurar o cartaz contra a despenalização da eutanásia que causou polémica nas redes sociais defendeu-se, esta segunda-feira, no Facebook.

Vera Guedes Sousa, estudante de medicina, segurou um cartaz onde se podia ler "Por favor não matem os velhinhos", aquando da manifestação contra a despenalização da eutanásia, no mesmo dia em que a Assembleia da República chumbou os projetos de lei que pretendiam despenalizar a morte medicamente assistida, na passada terça-feira.

A fotografia da rapariga a segurar o cartaz circulou nas redes sociais, e, além de ser muito criticado, foi editado com conteúdo humorístico.

Esta segunda-feira, Vera publicou no Facebook uma longa explicação sobre o cartaz e deu a conhecer a sua opinião sobre a morte medicamente assistida. A jovem disse que "sentia a necessidade de defender" o cartaz, ainda que estivesse a sujeitar-se "a mais críticas e assédio". "Prefiro ser criticada por aquilo que realmente sou e acredito e não pela imagem totalmente distorcida e ridícula que alguns procuraram criar", escreveu.

Vera admitiu que ficou "desolada e surpreendida" por causa das "respostas que visaram ridicularizar este cartaz e quem o segurava". A jovem escreveu que o cartaz pretendia sensibilizar para a "vulnerabilidade dos idosos", cuja "condição mais frágil", "possíveis fracos recursos económicos" e "falta de acesso a cuidados paliativos" poderia torná-los "mais suscetíveis para pedir a morte".

A estudante de medicina mostrou-se "triste", com a possibilidade de que a profissão que queria exercer, pudesse ter, no futuro, "o poder legal de matar". "Tal papel iria totalmente contra a natureza de um médico e contra o seu Código Deontológico", disse.

Além disso, acrescentou que a morte medicamente assistida já acontece, sempre que o médico "acompanha o doente até ao fim da sua vida, prestando-lhe cuidado e atendimento", não sendo, na sua opinião, a eutanásia e a morte medicamente assistida sinónimos.

De acordo com a jovem, nos países em que a morte medicamente assistida é legal, "a eutanásia tem vindo a tornar-se progressivamente uma solução barata, normal e até útil do ponto de vista económico".

Por fim, Vera escreve que "a vida é inviolável e a lei deve proteger e defender este princípio de forma absoluta". A publicação já conta com mais três mil gostos, mais de 600 partilhas e mais de 800 comentários.

O JN tentou contactar Vera que se demonstrou indisponível para prestar mais esclarecimentos.