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Junta de Campolide encerra todos os serviços para celebrar República

Junta de Campolide encerra todos os serviços para celebrar República

A Junta de Freguesia de Campolide, em Lisboa, encerrou esta segunda-feira todos os serviços à população, dispensando os cerca de 100 funcionários, disse o autarca André Couto (PS), frisando tratar-se de uma afirmação simbólica da Implantação da República.

"Entendemos que nós devemos à República a base sobre a qual o nosso Estado é construído com valores como Liberdade, Igualdade e Fraternidade, que nos últimos anos tem sido um bocadinho esquecidos", afirmou à Lusa o presidente da Junta de Freguesia de Campolide, frisando que a ação de hoje pretende afirmar estes valores para que não sejam esquecidos.

O autarca considerou que "um povo que não vive a sua história é um povo que dificilmente poderá constituir um futuro digno".

"Nem durante o Estado Novo esta data deixou de ser comemorada, mesmo muitas vezes com a repressão policial o feriado nunca terminou e nós entendemos que era essencial afirmar esta data", defendeu André Couto.

Para o presidente da Junta de Freguesia de Campolide, no presente ano existe uma agravante, que é "a própria Presidência da República esquecer essas celebrações".

A ação simbólica de celebração da Implantação da República implica que todos os serviços da Junta de Freguesia de Campolide estejam hoje encerrados, desde a parte central dos serviços administrativos, à Universidade Sénior, ao posto médico, à higiene urbana, aos espaços verdes e aos serviços de transporte.

"É um encerramento global dos serviços da Junta de Freguesia como se fosse feriado. É uma afirmação simbólica dos valores de Liberdade, Igualdade e Fraternidade", frisou o autarca.

André Couto referiu ainda que vai estar presente na cerimónia solene do 105.º aniversário da Implantação da República, que decorre hoje de manhã, no salão nobre da Câmara de Lisboa, sem a presença do chefe de Estado, Cavaco Silva.

Segundo a autarquia de Lisboa, a comemoração do 5 de Outubro decorrerá, entre as 11:15 e as 12:20, "nos moldes tradicionais no salão nobre do edifício dos Paços do Concelho", presidida por Assunção Esteves, presidente da Assembleia da República.

Cavaco Silva desvalorizou no domingo as críticas à sua ausência, afirmando que os Presidentes da República não vão às cerimónias do 5 de Outubro quando calha em tempo eleitoral, foi assim com os meus antecessores, é assim comigo", afirmou Aníbal Cavaco Silva, após ter votado numa escola em Lisboa.

Na quinta-feira, fonte oficial de Belém justificou à Lusa a ausência com a necessidade de Cavaco Silva "se concentrar na reflexão sobre as decisões que terá de tomar" nos dias seguintes, numa referência ao período pós-eleições.

Desde que o dia da Implantação da República deixou de ser feriado, este será o primeiro ano que se irá comemorar num dia útil e será no dia seguinte às eleições legislativas.

As críticas à ausência de Cavaco Silva nas comemorações do 5 de Outubro fizeram-se ouvir da parte da Associação 25 de Abril e, entre outros, no PS, PCP e BE, e foram desvalorizadas nos partidos que integram a coligação PSD/CDS-PP.

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