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Líder do PSD sugere 6 meses sem democracia

Líder do PSD sugere 6 meses sem democracia

A líder do PSD foi longe na ironia de querer explicar por que falham os governos. Manuela Ferreira Leite disse esta terça-feira que mais vale suspender por uns meses a democracia para se poder fazer todas as reformas necessárias e só depois, então, repô-la.

O PS é que não gostou das palavras da social-democrata. E houve reacções de protesto sucessivas em todos os partidos, incluindo as vindas do interior do PSD.

Discursando como convidada na Câmara de Comércio Luso-Americana, ontem, em Lisboa, Ferreira Leite confessou ser pouco crédula no que toca a fazer reformas em democracia: "Eu não acredito em reformas quando se está em democracia", disse a presidente do maior partido da oposição e ex-ministra das Finanças.

Manuela Ferreira Leite falava da reforma da Justiça, aquela que elegeu como prioritária para pôr a economia nacional a funcionar. Questionada sobre o que faria para melhorar o sistema de Justiça, demarcou-se da declaração do primeiro-ministro que, na sua tomada de posse, "anunciou como grande medida reduzir as férias do juiz".

A líder do PSD contrapôs que a última coisa que faria num discurso de posse como primeira-ministra seria "atacar fosse quem fosse" e acusou o Governo de José Sócrates de ter falhado as reformas da Educação, da Saúde, da Administração Pública e da Justiça. Em democracia, disse, não se pode hostilizar uma classe profissional. "Não sei se, a certa altura, não é bom haver seis meses sem democracia, mete-se tudo na ordem e depois, então, venha a democracia".

Mudando de tema, Ferreira Leite aproveitou a sua intervenção perante a Câmara de Comércio Luso-Americana para defender a eliminação dos custos de encerramento de empresas e a atribuição de apoios sociais aos empresários, para incentivar o empreendedorismo.

Criticando o intervencionismo do Estado, avisou que a opção política dos socialistas poderá "ter consequências mais negativas" para o crescimento económico do que a própria crise internacional. O Estado deve apenas "criar condições de concorrência sã".

A presidente do PSD defendeu também "a redução drástica da burocracia nos primeiros anos de vida de uma empresa", considerando que "alguns progressos têm sido feitos no sentido da eliminação de burocracia.

Por fim, Ferreira Leite opôs-se a que se retire da intervenção dos governos tiveram perante a crise financeira "a ideia ou a orientação de que então estamos a entrar numa fase muito socializante, isto é, o Estado intervém em todos os sectores no sentido de resolver os problemas decorrentes desta crise financeira".

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