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Líder dos empresários apoia imposto e diz que consumo no Natal "é um disparate"

Líder dos empresários apoia imposto e diz que consumo no Natal "é um disparate"

O presidente da Associação Empresarial de Portugal aplaudiu o imposto especial, equivalente a metade do subsídio de Natal, considerando-o "absolutamente necessário" e realçando que "o consumo na época de Natal é um verdadeiro disparate".

À margem da conferência "Portugal com norte", na Fundação de Serralves, no Porto, José António Barros disse concordar "inteiramente" com a medida, anunciada na quinta-feira pelo Governo, considerando que "não é uma veleidade, é absolutamente necessária, porque é preciso garantir uma execução orçamental para o limite de 5,9% no final do ano".

O presidente da AEP lembrou que o défice no primeiro trimestre cifrou-se nos 7,7%, o que faz com que "seja preciso ir buscar dinheiro a qualquer lado, o que tem que ser feito o mais rapidamente possível".

Para o representante dos patrões, a criação de uma contribuição especial para o ajustamento orçamental, em sede de IRS equivalente a 50% do subsídio de Natal acima do salário mínimo nacional, tem "três grandes efeitos": "o primeiro é resolver efectivamente uma parte da necessidade de cobertura orçamental: dos dois mil milhões de euros, temos 800 milhões resolvidos".

Por outro lado, José António Barros considera que "a medida dá um sinal claro lá para fora de que o Governo vai fazer o necessário para corrigir as situações, o que é muito importante em termos externos. Mostra que o país está a ser rigoroso, activo, que está a reagir na hora às necessidades".

Mais, prosseguiu, servirá para reduzir o consumo na época do Natal, que, defendeu, "é um verdadeiro disparate". Para o empresário, "basta analisar a despesa que se vem verificando nos últimos anos para ver que os portugueses são excessivamente consumistas".

O presidente da AEP sublinhou que uma vez que dois terços do consumo interno é proveniente de importações, "é preciso deixar cair o consumo interno".

José António Barros realçou que o país está doente e que "as injecções doem muito, mas são necessárias para ficar bom de vez", aplaudindo a intenção do Governo de "serem abrangidos todos os rendimentos tributáveis em sede de IRS".

"Acho que houve a preocupação da medida ser justa, abrangendo um grande espectro de rendimento", declarou.

Na abertura do debate na Assembleia da República, Passos Coelho anunciou que o Governo vai adoptar, apenas este ano, "uma contribuição especial para o ajustamento orçamental" em sede de IRS equivalente a 50% do subsídio de Natal acima do salário mínimo nacional.

"Não tomar esta decisão nesta altura era condenar o país à incerteza sobre o resultado ou a necessidade de, à última hora, se terem de encontrar medidas extraordinárias que garantissem o cumprimento do objectivo com que estamos comprometidos", reforçou o chefe do Governo.

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, revelou na quinta-feira que o Governo estima conseguir uma receita adicional de cerca de 800 milhões de euros com a contribuição especial que vai aplicar em sede de IRS.

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