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Louçã aposta que direita não vai apresentar nenhuma moção

Louçã aposta que direita não vai apresentar nenhuma moção

O líder do Bloco de Esquerda qualificou este sábado de "absolutamente conseguida" a moção de censura ao Governo pelo efeito "clarificador", apesar do anunciado chumbo, e apostou que a direita não vai apresentar nenhuma moção de censura.

"Faço uma aposta: a direita não apresenta nenhuma moção de censura", disse Francisco Louçã aos jornalistas, após a presentação do texto da moção, numa conferência de imprensa em Lisboa.

Questionado sobre a disponibilidade dos bloquistas para viabilizarem outras iniciativas de outros partidos, o coordenador do BE afirmou que o partido olhará "para cada moção de censura por aquilo que traz e diz". E lembrou que o BE já votou a favor da moção que o PCP apresentou nesta legislatura.

Apesar do chumbo a que está votada - PSD e CDS não a viabilizarão - Louçã considerou que a moção de censura que o BE apresenta "é uma iniciativa absolutamente conseguida", já tendo "conseguido um resultado de extraordinária clarificação".

"O país estava a assistir a um espectáculo lamentável entre PS e PSD, a assustarem-se um ao outro", acrescentou, acusando o PSD de fazer uma "política de terra queimada" ao suportar as medidas de austeridade do Governo, co-responsabilizando os sociais-democratas pelo nível de desemprego e de precariedade laboral.

"Portugal ficou agradecido ao doutor Pedro Passo Coelho por ter usado uma expressão tão simples para definir a sua visão da política", afirmou, recordando que o presidente social-democrata disse que o PSD não tinha ainda "fome suficiente para ir ao pote".

Sobre o PS, Louçã argumentou que "não pode dizer que esta moção abre o campo à direita, porque quem está a abrir o campo à direita é José Sócrates todos os dias".

"José Sócrates é, como primeiro-ministro, o maior patrão de trabalhadores precários em Portugal", acusou.

O líder do BE recusou que a moção de censura e a campanha que os bloquistas vão desenvolver "nas ruas" até à sua discussão no Parlamento, no dia 10 de Março, sirva para fazer esquecer que estiveram ao lado do PS no apoio à candidatura presidencial de Manuel Alegre.

"Tenho muito orgulho no apoio que demos a Manuel Alegre", disse, sublinhando que "o Bloco de Esquerda sente-se muito bem com isso".

Até à discussão da moção de censura na Assembleia da República, o BE vai andar "na rua", para explicar os motivos da moção, numa campanha em que Francisco Louçã participará em vinte sessões, que começaram na sexta-feira à noite em Setúbal.

Um "jornal de rua", com tiragem de 350 mil exemplares, será distribuído no dia 28 de Fevereiro em todos os centros de emprego do país.

No texto da moção de censura ao Governo - onde não faz qualquer referência directa aos partidos de direita, apesar de já ter dito que esta moção era também contra o PSD - o BE acusa o Governo de "desprezar os grandes combates democráticos pela qualidade dos serviços públicos, pela economia do emprego e contra a agiotagem" e promete bater-se "pela defesa das gerações sacrificadas".

O BE culpa ainda o Governo pelo "agravamento da crise social com o aumento dos impostos, queda do investimento público, redução de salários, degradação dos apoios sociais com a retirada do abono de família e outras prestações a centenas de milhares de famílias, o aumento dos preços dos medicamentos e o congelamento das pensões".