Natalidade

Estão a nascer mais bebés em Lisboa e menos no Porto

Estão a nascer mais bebés em Lisboa e menos no Porto

No primeiro semestre deste ano, nasceram, em Portugal, mais 97 bebés face a igual período do ano passado. Os dados do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), e que se reportam aos recém-nascidos que fizeram o "teste do pezinho", apontam para 41.786 nados-vivos nos primeiros seis meses deste ano.

O que se traduz numa estagnação face a período homólogo de 2017, ano que fechou com menos nascimentos, depois do crescimento da natalidade registado em 2016 e 2015 devido, sobretudo, segundo os demógrafos, a nascimentos adiados por causa da crise. Comparando este semestre com o de 2016 há já a registar uma quebra de 2%.

Numa análise distrital, ficamos a saber que o maior acréscimo de nascimentos foi registado, em termos nominais, em Lisboa, com mais 261 bebés, num total de 12501. No lado oposto está o Porto, com menos 237 bebés, tendo naquele distrito sido estudados pelo INSA 7462 bebés [ver infografia].

Feita a leitura numa lógica percentual, o destaque vai para Viana do Castelo, com um aumento de 13%, que se traduz em mais 81 bebés. Em sentido inverso, Évora verifica uma quebra de 8%, com menos 45. De sublinhar, ainda, o crescimento de 9% e 3% registado, respetivamente, nos Açores e na Madeira.

Uma estagnação que acaba por não ser "má no quadro de declínio que temos", sublinha ao JN a presidente da Associação Portuguesa de Demografia. Relativamente ao aumento verificado em Lisboa, Maria Filomena Mendes não põe de parte o efeito do fluxo migratório, cujo "impacto se torna mais evidente em regiões com forte componente de imigração". Refira-se, aliás, que no primeiro trimestre deste ano estavam a nascer mais bebés filhos de pais estrangeiros, representando já 14,5% do total de nascimentos.

Estes dados - que não permitem arriscar uma tendência para este ano - colocam sob pressão a demografia nacional. Até porque, como o JN noticiou ontem, a mortalidade subiu 5,6% nos primeiros seis meses deste ano, o que se traduz em mais 18 óbitos diários face a 2017. Fruto do envelhecimento da população.

"Os ganhos que os portugueses estão a ter em termos de saúde, de aumento da esperança de vida [atualmente nos 80,8 anos], acaba por ter este impacto no aumento do número de óbitos", afirma a demógrafa. O que, tudo somado, faz com que o saldo natural do país esteja em terreno negativo há nove anos consecutivos.

ver mais vídeos