Ensino Superior

Manual da praxe no Porto trata alunos como seres "irracionais"

Manual da praxe no Porto trata alunos como seres "irracionais"

Um "manual de sobrevivência do caloiro" distribuído nas imediações da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto define os novos estudantes como seres irracionais, servis e obedientes. O Bloco de Esquerda vai confrontar o Governo com esta nova praxe.

"O caloiro não é um ser racional", "assexuado", "não goza de qualquer direito", deve ser "incondicionalmente servil, obediente e resignado" e ser "sempre moderado no uso da palavra (zurra, grunhe, bale e relincha só quando lhe é dada permissão". O "manual de sobrevivência do caloiro" tem sido distribuído, durante esta semana, aos novos estudantes junto da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (UP).

A praxe é proibida neste estabelecimento há sete anos e o diretor António Fernandes Silva chegou a chamar, no ano passado, a PSP às instalações da faculdade para expulsar membros de comissões de praxe. Para o deputado do BE, Luís Monteiro, o debate "não é geográfico" e pouco importa se o "manual" foi distribuído a "cinco metros" da faculdade. "É certo que as direções das instituições não podem atuar no espaço público mas podem ter gabinetes de apoio e aprovar medidas dissuasoras", insiste.

O Bloco vai enviar esta quinta-feira um requerimento ao Governo. Além de questionarem o ministro do Ensino Superior sobre se irá intervir junto da direção da FCUP, o BE pergunta a Manuel Heitor se irá aprovar mais mecanismos de integração dos novos estudantes, alternativos às praxes. Para o deputado, as linhas (de telefone e email) criadas para denúncia de praxes abusivas são "pouco publicitadas" e pouco consequentes, pelo que muitos estudantes acabam por desistir das queixas. Luís Monteiro classifica as praxes como "um flagelo" do sistema de ensino superior que deve ser eliminado.

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