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Manuel Pizarro: "É um momento ímpar para afirmar o Norte na vida nacional"

Manuel Pizarro: "É um momento ímpar para afirmar o Norte na vida nacional"

Manuel Pizarro vai deixar o secretariado nacional do PS, órgão executivo do partido, para se candidatar à Federação Distrital do Porto, a partir da qual pretende "afirmar o Porto e o Norte na vida nacional", numa lógica de progressiva descentralização da administração pública.

O ex-secretário de Estado da Saúde faz este domingo, às 16 horas, a apresentação formal da sua candidatura à liderança do PS-Porto, na Fundação Engenheiro António de Almeida, na presença de vários ministros e secretários de Estado do Governo, e enfatiza o "momento ímpar" para a mudança estratégica da região.

"Temos um governo socialista assente numa maioria parlamentar inovadora, com uma participação inédita de elementos do Porto na sua constituição, o que representa uma oportunidade reforçada para uma intervenção política articulada a partir do Norte, capaz de colocar as questões da coesão no topo da agenda do país", explicou ao JN. "Por outro lado, temos um primeiro-ministro, António Costa, com uma enorme compreensão em relação às virtudes da descentralização, como provou enquanto esteve na autarquia de Lisboa".

Vereador da Câmara do Porto, e corresponsável pelo acordo histórico, em 2013, entre o PS e o autarca independente Rui Moreira, Manuel Pizarro inscreveu três prioridades no seu plano de orientação: unir o PS, "curando muitas feridas abertas", nomeadamente "o conflito de Matosinhos entre o grupo que apoiou o candidato do PS e o que apoiou Guilherme Pinto"; recuperar as autarquias do distrito nas eleições de 2017; e colocar o PS na presidência da Área Metropolitana do Porto (AMP), cuja eleição poderá vir a ser, pela primeira vez, caso seja aprovada a alteração legislativa, por voto direto.

"A liderança socialista na AMP será um grande momento para o Norte. É a oportunidade de haver um poder metropolitano com legitimidade política, para que passe a ter uma existência mais efetiva do que a que teve nas últimas décadas", diz, reforçando que "é essencial que o PS tenha essa ambição".

Apostado em conduzir o PS-Porto com "mais debate e transparência", Manuel Pizarro antecipa ainda, ao JN, que pretende "caminhar progressivamente para transformar o PS num movimento de cidadãos" sem trair "o percurso, as características e a tradição do partido". Essa alteração, diz, permitirá "ter um partido mais modernizado, mais coeso e mais preparado para acolher aqueles que querem voltar a acreditar na política".

Autarca de Gaia instigou candidatura

O presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia foi um dos principais instigadores da candidatura de Manuel Pizarro, como o próprio confirmou ao JN. "Não me limito a apoiá-lo, pedi-lhe claramente para ser candidato numa lógica de compromisso conjunto", afirmou Eduardo Vítor Rodrigues.

Para o autarca, que antevê "um mandato cravejado de problemas, cuja resolução passará essencialmente pela capacidade de reivindicação junto do Governo", o médico é "a única pessoa capaz de afirmar a região no país", devido ao seu capital de "competência, credibilidade e reconhecimento em Lisboa".

Outro apoio de peso é Mário Almeida, antigo presidente da Câmara de Vila do Conde. "Estou plenamente convicto de ser a pessoa indicada para o lugar, por acreditar no seu dinamismo, no seu discernimento, bem como nas condições que indiscutivelmente possui para unir o PS num distrito com a relevância do nosso"

Acordo com Rui Moreira até ao fim

A candidatura à Federação não invalida o cumprimento do mandato como vereador, nem o acordo com Rui Moreira sobre quem faz uma "avaliação muito positiva". "Tem conduzido a Câmara com rigor, transparência, equilíbrio e muita proximidade", enalteceu. "Não é só o PS que se revê nele, é a cidade inteira".

Apesar disso, Manuel Pizarro recusou adiantar se o PS apoiará a candidatura de Rui Moreira nas próximas eleições autárquicas ou se, pelo contrário, apresentará uma candidatura própria. "Não chegou ainda a altura de discutir as autárquicas de 2017 no concelho do Porto", afirmou, remetendo para o final do ano a "definição da orientação em total autonomia estratégica".