Sondagem

Marcelo será presidente (62%) logo à primeira volta

Marcelo será presidente (62%) logo à primeira volta

Marcelo Rebelo de Sousa é o virtual vencedor das próximas eleições presidenciais. A sondagem da Católica para o JN atribui-lhe um resultado de 62% logo à primeira volta.

Uma vitória contundente, tal a distância que o separa dos dois candidatos oficiosos dos socialistas, Sampaio da Nóvoa (15%) e Maria de Belém (14%).

O trabalho de recolha do Centro de Estudos e Sondagens de Opinião (CESOP) da Universidade Católica para o JN, DN, RTP e Antena 1, foi realizado no fim de semana passado, antes de o PSD decidir o seu apoio oficial (ontem à noite) ao candidato que representa o Centro-Direita. Sendo que Marcelo, aparentemente, não precisa desse apoio para se tornar o próximo presidente da República.

O antigo líder do PSD e, nos últimos anos, comentador do "Jornal de Domingo" da TVI, com audiências de milhões de espectadores, congrega simpatias entre os eleitores de todos os partidos, sendo o candidato mais vezes nomeado em todos eles.

Quando se cruza a intenção direta de voto nas presidenciais com a escolha para legislativas, a vantagem de Marcelo é particularmente relevante entre os eleitores da coligação Portugal à Frente (PSD/CDS). No entanto, e como notam os especialistas do CESOP, o professor "entra em todos os eleitorados", com destaque para votantes do BE e CDU, que o preferem aos candidatos dos seus partidos: 31% dos eleitores comunistas escolhem Marcelo e apenas 22% Edgar Silva; 30% dos eleitores bloquistas escolhem Marcelo e apenas 10% Marisa Matias.

Só no caso dos socialistas se poderá dizer que há mais votantes a apoiar os candidatos oficiosos (o PS decidiu não apoiar nenhum na primeira volta) do que Marcelo: este recolhe a preferência de 26% dos eleitores do PS; a soma dos que apoiam Maria de Belém e Sampaio da Nóvoa dá 36% (rigorosamente, metade para cada um deles).

E assim se explica que Marcelo Rebelo de Sousa se arrisque, nesta altura, a conseguir um resultado inédito numa primeira volta de presidenciais: só Ramalho Eanes, em 1976, se aproxima, com os seus 61,5% (mas, então, com o apoio explícito do PS, do PSD e do CDS). Jorge Sampaio, o candidato com o segundo melhor resultado de sempre numa primeira volta, conseguiu 53,9% em 1996.

Se Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém ficam a considerável distância, os restantes têm resultados residuais: 3% para Marisa Matias e Edgar Silva; 1% para Paulo Morais e Henrique Neto.

Os especialistas do CESOP alertam, no entanto, para a prudência com que é preciso olhar para estes resultados: "A campanha eleitoral e o foco dos média nestas eleições, que só agora começam, poderão contribuir para alterações nas intenções de voto". Sendo de destacar que o número de indecisos entre os eleitores dos partidos de Esquerda é elevado: 30% no PS e no BE, 22% na CDU. As alterações, ainda assim, não deverão ser suficientes "para impedir a eleição de Marcelo Rebelo de Sousa à primeira volta".

Ficha técnica

Esta sondagem foi realizada pelo CESOP-Universidade Católica Portuguesa para o Jornal de Notícias, Diário de Notícias, Antena 1 e RTP, nos dias 5 e 6 de dezembro de 2015. O universo alvo é composto pelos indivíduos com 18 ou mais anos recenseados eleitoralmente e residentes em Portugal continental. Foram selecionadas aleatoriamente dezoito freguesias do país, tendo em conta a distribuição da população recenseada eleitoralmente por regiões NUT II e por freguesias com mais e menos de 3200 recenseados. A seleção aleatória das freguesias foi sistematicamente repetida até que os resultados eleitorais das últimas eleições legislativas nesse conjunto de freguesias (ponderado o número de inquéritos a realizar em cada uma) estivessem a menos de 1% dos resultados nacionais dos cinco maiores partidos. Os domicílios em cada freguesia foram selecionados por caminho aleatório e foi inquirido em cada domicílio o próximo aniversariante recenseado eleitoralmente na freguesia. Foram obtidos 1183 inquéritos válidos, sendo 58% dos inquiridos do sexo feminino, 34% da Região Norte, 20% do Centro, 34% de Lisboa, 5% do Alentejo e 7% do Algarve. Todos os resultados obtidos foram depois ponderados de acordo com a distribuição de eleitores residentes no Continente por sexo, escalões etários, região e habitat na base dos dados do recenseamento eleitoral e das estimativas do INE. A taxa de resposta foi de 69%*. A margem de erro máximo associado a uma amostra aleatória de 1183 inquiridos é de 2,9%, com um nível de confiança de 95%.

* A taxa de resposta é estimada dividindo o número de inquéritos realizados pela soma das seguintes situações: inquéritos realizados; inquéritos incompletos e recusas.

ver mais vídeos