EurAfrican Forum

Marcelo vê Europa a "voltar aos anos 30" e pede ação conjunta com África

Marcelo vê Europa a "voltar aos anos 30" e pede ação conjunta com África

O Presidente da República considerou esta terça-feira que a Europa está "a entrar numa era muito perigosa" de xenofobia, populismo e hipernacionalismo, "a voltar aos anos 30", e nesse contexto apelou a uma ação conjunta com África.

No primeiro "EurAfrican Forum", iniciativa realizada no Centro de Congressos do Estoril e organizada pelo Conselho da Diáspora Portuguesa, do qual é presidente honorário, o chefe de Estado alertou também para a conjuntura global, afirmando que está em curso "uma longa, longa luta de longo prazo sobre quem será o centro económico do mundo em 50 anos".

"Por isso é tão importante o diálogo entre Europa e África. Porque, no meio desta disputa, África pode ser esquecida. Porque, no meio desta disputa, Europa e África juntas são muito mais fortes do que cada um dos dois continentes sozinhos", defendeu Marcelo Rebelo de Sousa.

Sobre o estado da Europa, o Presidente da República declarou: "Estamos a entrar numa era muito perigosa, estamos a voltar aos anos 30 do século passado. Olhamos à volta e vemos xenofobia, vemos não só protecionismo, mas hipernacionalismo, vemos modos fechados de lidar com os vizinhos, vemos tudo o que é o oposto de uma sociedade livre, de comércio livre, de entendimento comum e livre".

"E isso é muito preocupante, porque não é apenas um caso, está a cresce todos os dias. O populismo, o populismo radical está a crescer e a liderar os países. Não apenas os partidos da oposição, movimentos inorgânicos de oposição - não, estamos a falar de governos. Há quase cem anos, começou assim, antes da guerra. Mas é pior, porque hoje o mundo é muito mais complexo do que era", prosseguiu.

Dirigindo-se aos participantes europeus e africanos neste fórum, acrescentou: "Lidar com este tipo de problemas é um desafio para vocês e para nós. Devemos agir juntos".

Segundo o presidente da República, essa ação conjunta "é urgente".

Marcelo Rebelo de Sousa argumentou que Europa e África dependem uma da outra, "todos os dias, geoestrategicamente, economicamente, politicamente, culturalmente, socialmente", e não apenas por causa das migrações.

"É uma questão de confiança. Também é uma questão de inteligência. No futuro, devemos ser inteligentes, devemos ser racionais. Basta de irracionalidade", advogou.

Numa intervenção de cerca de meia hora, feita em inglês, o chefe de Estado falou também na importância da "cumplicidade pessoal", sustentando que "resolve problemas políticos, problemas económicos, problemas de negócios".

No seu entender, quando se perspetiva "uma guerra comercial, com protecionismo", Europa e África não devem ficar de fora: "Os ausentes estão sempre errados, porque deixam de ser importantes para lidar com os problemas".

Por outro lado, advertiu contra a criação de mais "divisões na Europa", alegando que isso "seria muito mau para os Estados Unidos, custaria uma fortuna, como aconteceu há um século" e "seria muito mau para o equilíbrio de poderes no mundo".

De acordo com o presidente, "as potências asiáticas estão objetivamente aliados da unidade da Europa", o que "é inteligente, não criar mais problemas onde já há problemas suficientes".

O Conselho da Diáspora Portuguesa, que organizou este fórum, é uma associação sem fins lucrativos, constituída em dezembro de 2012, com o alto patrocínio do anterior Presidente da República, Cavaco Silva, destinada a institucionalizar uma rede de contactos entre portugueses e lusodescendentes residentes no estrangeiro, com posições de destaque.

Tem como presidente honorário o presidente da República e, atualmente, a sua direção é presidida pelo empresário Filipe de Botton e Durão Barroso é presidente da Mesa do Conselho da Diáspora.

Marcelo Rebelo de Sousa enalteceu este tipo de iniciativas, em que se pode "falar à vontade, com espírito de abertura" e disse que o objetivo deste primeiro fórum é "começar um longo processo de diálogo e compreensão mútua".

E agradeceu a Durão Barroso e Filipe de Botton o seu "trabalho de preparação deste espaço de diálogo".

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