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Mário Soares faz "apelo angustiado" a Cavaco para evitar "catástrofe"

Mário Soares faz "apelo angustiado" a Cavaco para evitar "catástrofe"

O ex-presidente da República Mário Soares faz, esta terça-feira, um "apelo angustiado" a Cavaco Silva para "não sacudir a água do capote" e intervir, criticando o silêncio presidencial quando "os partidos reclamam insensatamente eleições".

A "angústia" de Mário Soares está expressa num artigo de opinião publicado na edição do Diário de Notícias desta terça-feira.

O ex-chefe de Estado começa por lembrar "que a próxima Cimeira da União Europeia, que se realizará em Bruxelas, nos dias 24 e 25, quinta e sexta-feira, vai ser decisiva para o futuro da Europa e do euro".

"É neste momento, tão decisivo para a União - e consequentemente para Portugal - (...) que se desencadeou uma guerrilha partidária à portuguesa, que parece conduzir à queda do Governo e, portanto, a um vazio de poder, por dois ou três meses, precisamente quando o nosso próximo futuro se vai jogar", salienta.

Mário Soares considera que "não interessa agora discutir a quem cabem as culpas do impasse criado", pois "quando há conflitos partidários, geralmente, as culpas são quase sempre, mais ou menos, repartidas".

"Será sensato, assim, sejam de quem forem as culpas, acrescentar-lhe uma crise política?", questiona.

E, avançando para eleições, "depois, o CDS/PP vai estar contra o PSD, a disputar-lhe o terreno, palmo a palmo, como se percebeu no Congresso de Viseu. Os Partidos da extrema-esquerda radical não se entendem, como se tem visto, mas estarão ambos contra Sócrates, o que só o reforça, no interior do PS. Mas nenhum partido quer realmente deitá-lo abaixo. Para ficar pior? Quer fritá-lo em lume brando, o que é diferente. Com a excepção, talvez, de Passos Coelho, porque está, cada vez mais, a sofrer pressões internas nesse sentido".

"No meu modesto entender, só uma pessoa, neste momento, tem possibilidade de intervir, ser ouvido e impedir a catástrofe anunciada: o Senhor Presidente da República. Tem ainda um ou dois dias para intervir. Conhece bem a realidade nacional e europeia e, ainda por cima, é economista", defende Mário Soares.

"Com o devido respeito lhe dirijo este apelo angustiado, quebrando um silêncio que sempre tenho mantido em relação ao exercício das funções dos meus sucessores", acrescenta.