António Peças

Médico afastado do INEM esteve no sismo do Haiti e na visita de Bento XVI

Médico afastado do INEM esteve no sismo do Haiti e na visita de Bento XVI

O médico cirurgião António Peças, afastado do INEM por alegadamente se ter recusado a helitransportar doentes, esteve em missão no sismo de 2010 no Haiti e prestou assistência médica ao papa Bento XVI aquando da sua visita a Portugal.

Desde o início da semana que António Peças tem estado no centro das atenções mediáticas, depois de ter sido afastado do INEM por, alegadamente, negar o transporte de doentes em estado crítico, por motivo de doença, enquanto se encontrava a assistir a uma tourada.

Segundo revela esta sexta-feira a agência Lusa, António Peças integrou, em 2010, a equipa de oito elementos do INEM que esteve a prestar ajuda e assistência às vítimas do sismo no Haiti, em janeiro desse ano, e foi o médico do INEM responsável por acompanhar o papa Bento XVI quando, também nesse ano, visitou Portugal. Sobre essa experiência, chegou a relatar em entrevista à agência Lusa que foi a situação em que sentiu maior responsabilidade sobre si próprio.

No início da semana, a SIC divulgou uma reportagem que dava conta de que António Peças foi afastado do INEM depois de ter, alegadamente, simulado uma doença para não transportar um doente, enquanto se encontrava numa corrida de touros, num caso remonta a outubro de 2017. Também o jornal "Observador" divulgou outros dois episódios que o INEM terá investigado e em que o médico António Peças terá, alegadamente, mostrado resistência em transportar doentes.

Entretanto, a Ordem dos Médicos e a Inspeção-geral das Atividades em Saúde (IGAS) abriram uma investigação à conduta do cirurgião, que pertence aos quadros do hospital Espírito Santo de Évora, trabalha há vários anos no INEM, tanto nas Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação (VMER) como nos helicópteros.

Os primeiros problemas de António Peças com o INEM remontam a 2012, quando o médico foi retirado das escalas da VMER do hospital de Évora, onde trabalha. Na altura, a coordenadora do serviço decidiu retirar o médico das escalas, na sequência de uma troca de emails em que a responsável considerou que António Peças tinha sido ofensivo.

Quatro ano depois, em 2016, o médico voltou a integrar escalas por decisão do tribunal do trabalho de Évora, que considerou ainda que António Peças tinha direito a receber uma indemnização de 44 mil euros.

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