O Jogo ao Vivo

Premium

Médicos querem cirurgias a cancro nos serviços mínimos

Médicos querem cirurgias a cancro nos serviços mínimos

Especialistas preocupados com adiamentos das cirurgias oncológicas, mas dizem que os tempos de resposta garantidos são cumpridos. Greves na saúde adiam mais de 1600 intervenções por dia.

Ao contrário do que acontece com os tratamentos de quimioterapia e de radioterapia prestados aos doentes de cancro, as cirurgias oncológicas não integram os serviços mínimos que os profissionais de saúde têm de desempenhar nos dias de greve. Paulo Cortes, presidente da Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO), adiantou ao JN que colegas de cirurgia e diretores de serviço "de todo o país" consideram que esta situação "não faz sentido".

"Sabendo nós que a cirurgia oncológica para muitas pessoas é uma hipótese de tratamento e de cura se for feita em tempo adequado, achamos que deveriam fazer parte destes serviços mínimos", frisou.

De acordo com o especialista, o aumento dos casos de cancro "coloca uma grande pressão no sistema" e qualquer perturbação, como as paralisações, tem levado ao adiamento de cirurgias, o que "é um motivo de preocupação para a SPO".

Paulo Cortes confirma que há atrasos nas operações. No entanto, explicou que as unidades têm estado a gerir esta procura e maior pressão no tempo máximo de resposta garantido.

Caráter de urgência

Alexandre Lourenço, da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, afirmou que, no caso das cirurgias oncológicas, "há uma preocupação muito grande dos profissionais" para que o procedimento não seja adiado por muito tempo. Estas operações podem ter "um caráter de urgência" e nesse caso são realizadas no âmbito dos serviços mínimos. Nas situações programadas, acabam por ser remarcadas entre um a cinco dias depois.

Segundo as estimativas dos administradores, cada dia de greve dos profissionais de saúde obriga ao adiamento de 1600 a 2000 intervenções. Nas cirurgias gerais, explica Alexandre Lourenço, o "maior transtorno" é para os doentes e para as suas famílias, que criam "uma expectativa". Em termos de reorganização dos serviços, as operações são realizadas no âmbito da produção adicional dos hospitais.

Na quinta-feira, terminou o primeiro período (de dois dias) da greve de seis dias dos enfermeiros. Entre quarta e quinta-feira, a adesão foi superior a 72%, disse José Carlos Martins, do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses. Hoje, os sindicatos reúnem-se com o Governo e esperam que lhes seja apresentada uma proposta para a carreira que se aproxime das suas reivindicações.

Cuidados mínimos

No caso da enfermagem, são os cuidados que põem em risco a vida do doente se não forem prestados.

Serviços abrangidos

Para a greve dos enfermeiros em curso são obrigatórios serviços mínimos nos serviços de internamento e unidades de atendimento permanente (que funcionem 24 horas por dia), cuidados intensivos, urgências, serviços de hemodiálise e de tratamentos oncológicos (quimioterapia e radioterapia).

Serviços não incluídos

Os serviços que encerram ao fim de semana ou que não funcionam 24 horas, como os centros de saúde, blocos operatórios de cirurgias programadas e consultas externas, não estão abrangidos por esta medida.

ver mais vídeos