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Merkel diz que aprovar orçamento europeu será complicado

Merkel diz que aprovar orçamento europeu será complicado

A chanceler alemã, Angela Merkel, admitiu, no final da visita a Portugal, que a aprovação do próximo orçamento da União Europeia "será tão complicada como a quadratura do círculo".

"A aprovação do quadro financeiro plurianual [2021-2027] será tão complicada como a quadratura do círculo, depois da saída de um país, de um contribuinte líquido [Reino Unido, em março de 2019], e ao mesmo tempo com o acréscimo de tarefas. É de facto um enorme desafio", afirmou a chefe do Governo alemão, esta quinta-feira, em declarações aos jornalistas após um encontro com o primeiro-ministro, António Costa, em Lisboa.

Merkel ressalvou: "Enquanto União Europeia, temos de enfrentar esses desafios e, com um pouco de boa vontade, seremos bem-sucedidos", declarou.

A chanceler alemã recordou que, no seu primeiro dia de visita a Portugal, visitou no Porto e em Braga "projetos que foram financiados com fundos europeus".

"Um país como Portugal quer convergência com os Estados-membros da União Europeia. Temos interesse que haja essa convergência, porque caso contrário muitos dos benefícios, como livre circulação, são sempre postos à prova. Temos interesse no desenvolvimento comparável nos países", comentou.

Angela Merkel falava ao lado de António Costa, em conferência de imprensa, no Palácio Foz, em Lisboa, após uma reunião bilateral, que encerra uma visita de dois dias da chanceler alemã em Portugal.

O primeiro-ministro considerou que "há margem" para melhorar a proposta do próximo orçamento comunitário, avisando que sacrificar as políticas de coesão e agrícola "é um mau contributo para o futuro da União Europeia".

"Quanto à proposta agora conhecida, nós registamos os progressos relativamente ao mau ponto de partida com que as conversações se tinham iniciado, mas julgamos que há margem para continuarmos a trabalhar para melhorar esta proposta", disse, respondendo a uma pergunta sobre o próximo orçamento da União Europeia.

No entanto, o primeiro-ministro avisou que "a política de coesão e a política agrícola não devem ser os fatores de ajustamento", já que "são duas políticas que são marcas identitárias da União Europeia".

"Sacrificar essas políticas é um mau contributo para o futuro da União Europeia", alertou.

Costa recordou que "Portugal tem defendido que a Europa tem de ter um orçamento à medida da sua ambição".

"Temos novas ambições na área da Defesa, do combate ao terrorismo, na capacidade de gerir as migrações, na capacidade de contribuir ativamente para o desenvolvimento do continente africano. Estas novas ambições exigem recursos", observou.