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Miguel Relvas, "braço-direito" de Passos Coelho

Miguel Relvas, "braço-direito" de Passos Coelho

A carreira política do próximo ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, com 49 anos, começou na adolescência nos bastidores das bases e aparelho partidário "laranjas", numa ligação de quase 30 anos ao novo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.

A relação entre ambos iniciou-se antes de o chefe do Executivo de coligação PSD/CDS-PP ter chegado à liderança da Juventude Social democrata (JSD). Desde então, mesmo com afastamentos e reaproximações circunstanciais, os percursos de Relvas e Passos caminharam sempre na mesma direção.

Miguel Fernando Cassola de Miranda Relvas nasceu em Lisboa em 05 de setembro de 1961, mas ainda sem um ano de idade regressou com os pais, um gestor e uma enfermeira, a Angola, onde estavam estabelecidos.

Em África, a família multiplicou-se e Miguel Relvas viu-se com dois irmãos, mas o 25 de Abril e a mais que provável descolonização levaram o trio a estudar em Tomar, no Colégio Nun'Alvares Pereira, onde o mais velho começou a exercitar as táticas e estratégias políticas na associação de estudantes.

A inscrição na Juventude Social Democrata (JSD) aconteceu em seguida, acelerada pela admiração por Sá Carneiro e pelo choque com a morte do então primeiro-ministro, antes de comemorar o 20.º aniversário.

Como "jotinha", o atual secretário-geral do PSD rapidamente se tornou próximo de Carlos Coelho, Pedro Pinto e Passos Coelho, um núcleo duro apaixonado pela gastronomia e pela boémia, que fazia gala em demarcar-se do "status quo laranja" durante o "Cavaquismo", designadamente quanto às polémicas propinas universitárias.

Passos Coelho presidiu à JSD entre 1990 e 1995, após ter sido secretário-geral e "vice" entre 1984 e 1990. Miguel Relvas foi secretário-geral da juventude partidária entre 1987 e 1989 e "vice" entre 1990 e 1992, ao mesmo tempo que se tornava presidente da Assembleia Municipal de Tomar e experimentava o primeiro de 25 anos como deputado na Assembleia da República, por Santarém.

O estágio governamental do administrador e consultor de empresas aconteceu com Durão Barroso como primeiro-ministro, em 2002, com o cargo de secretário de Estado da Modernização Administrativa, desempenhando também as funções de secretário-geral do PSD, mantendo este lugar no partido com a substituição do atual presidente da Comissão Europeia por Santana Lopes.

A "travessia do deserto", que permitiu a conclusão do curso de Ciência Política e Relações Internacionais, deu-se com a ascensão de Marques Mendes à presidência do PSD, mas a "queda" do líder seguinte, Luís Filipe Menezes, em 2008, reacendeu-lhe a "vontade de ser poder, para mudar o país". Miguel Relvas, com a crise económica a ensombrar a maioria absoluta do socialista Sócrates, apostou tudo em Passos Coelho.

O confronto com Manuela Ferreira Leite nas diretas de 2008 valeu a ambos a exclusão das listas de candidatos a deputados nas legislativas de 2009, mas os 31 por cento de Passos Coelho nessa eleição significariam a "pole-position" para as disputa seguinte em 2010, que venceu com 61 por cento dos votos, derrotando Paulo Rangel, José Pedro Aguiar-Branco e Castanheira Barros.

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