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Milhares saíram à rua em nome da "Geração à Rasca"

Milhares saíram à rua em nome da "Geração à Rasca"

Centenas de milhar de pessoas saíram à rua em várias localidades do país, este sábado, no âmbito da manifestação "Geração à Rasca" convocada, há várias semanas, nas redes sociais. Segundo os organizadores, só em Lisboa e no Porto marcaram presença, respectivamente, cerca de 200 mil e 80 mil pessoas. A Polícia não confirma os números.

Pelas 22 horas, mantinha-se ainda concentrada meia centena de jovens na Praça do Rossio, em Lisboa, animados por música. Renato Teixeira, um dos resistentes, explicou à agência Lusa que, apesar de o protesto já ter terminado há algumas horas, decidiu permanecer na companhia de alguns amigos. Nos cartazes que ainda permaneciam no local podiam ler-se slogans como "Viver o Comunismo - Espalhar a Anarquia" e "O Capitalismo é Abandonável".

Apesar dos organizadores terem garantido que o protesto foi apartidário, em Lisboa, alguns políticos juntaram-se à marcha, como foram o caso de deputados bloquistas e comunistas, o líder do PCTP-MRPP, Garcia Pereira, e o secretário-geral da CGTP, Carvalho da Silva. Também marcaram presença grupos de extrema direita e de extrema esquerda, anarquistas e alguns movimentos LGBT, como os Pantera Rosa. Contrariando os pedidos dos organizadores, do álcool ao haxixe, muitas foram as substâncias que alguns grupos levaram para a manifestação.

Por volta das 18 horas, os participantes começaram a desmobilizar. Contudo, algumas centenas, encabeçados pela carrinha de caixa aberta onde os Homens da Luta actuavam, voltaram a percorrer a Avenida da Liberdade. No Marquês de Pombal, concentraram-se junto à estátua e cantaram por diversas vezes o Hino Nacional. Esta marcha não estava prevista e obrigou a polícia a encerrar, de novo, a circulação de trânsito nas faixas centrais da avenida. Cerca de meia hora depois, tudo voltou à normalidade.

No Porto foram cerca de 80 mil (número da organização) aqueles que se concentraram na Praça da Batalha ao início da tarde. Depois dos discursos iniciais, os manifestantes seguiram em marcha lenta pelas rua de Santa Catarina, Fernandes Tomás e Sá da Bandeira e terminaram na Praça da Liberdade.

Noutras localidades do país, o número de participantes superou as expectativas da organização. Foi o caso de Faro, onde ao início da tarde, o ambiente era de absoluta normalidade. Mas rapidamente se juntaram no Largo de São Francisco mais de duas mil pessoas, segundo o comissário da PSP de Faro, Jorge Carneiro. Um número que acabou por chegar às seis mil pessoas, que percorreram algumas das principais ruas da cidade entoando palavras de ordem.

Em Braga, onde a manifestação foi apelidade de "Primavera de Braga", o protesto juntou perto de mil pessoas na Praça da República, junto à Arcada. Entre os manifestantes, muitos jovens mas também vários reformados, que se queixaram das dificuldades que sofrem no seu dia-a-dia, e alguns enfermeiros do Hospital de Braga. Foram distribuídos balões verdes, que continham no interior um recibo verde.

Em Coimbra, o protesto "Geração à Rasca" juntou também cerca de mil pessoas. Apenas estava prevista e autorizada uma concentração na Praça da República, mas, ao fim de duas horas, os manifestantes decidiram desfilar até ao Governo Civil, regressando depois ao ponto de partida.

No Funchal (Madeira), em Ponta Delgada (Açores) em Castelo Branco e em Viseu, os manifestantes saldaram-se pelas poucas centenas, mas também fizeram ouvir os seus protestos alto e bom som.

Em Barcelona, cerca de 70 jovens portugueses concentraram-se junto ao Consulado Português para também manifestar o seu descontentamento.

Três dias, a canção "Parva que sou dos Deolinda" e mais de 800 comentários no Facebook inspiraram a escrita, a oito mãos, do manifesto que deu as palavras para o protesto deste sábado da "geração à rasca". O documento, escrito por Joâo Labrincha, Paula Gil, Alexandre de Sousa Carvalho e António Frazão, reclama o direito ao emprego e à educação, a melhoria das condições de trabalho e o fim da precariedade.

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