Defesa

Militares contratados vão ter gestor de carreira

Militares contratados vão ter gestor de carreira

Além de ir ao encontro de uma das principais reivindicações das bases das hierarquias militares, propondo "estudar a reorganização da estrutura remuneratória da categoria de Praças", o plano gizado pelo Ministério da Defesa para fazer face às crescentes dificuldades de recrutamento e retenção enfrentadas pelas Forças Armadas avança com outras medidas ambiciosas, como a criação da figura de gestor da carreira militar e a implementação de um observatório

Apresentado na sexta-feira, em Lisboa, pelo ministro da tutela, o Plano de Ação para a Profissionalização do Serviço Militar assenta, como o JN avançou, em três eixos - recrutar, reter e reinserir -, e foi elaborado com base nos resultados de um estudo coordenado pela investigadora Helena Carreiras, o qual permitiu fazer um diagnóstico junto de militares que prestam serviço nos regimes de voluntariado e de contrato, nos três ramos das Forças Armadas.

Plano para cinco anos

As propostas apresentadas são fruto de "um processo de criação de uma política pública, que partiu de um diagnóstico claro e que identificou medidas e metas concretas com um horizonte temporal de cinco anos", referiu o ministro João Gomes Cravinho, na apresentação do plano.

"É um passo de gigante em relação a tudo o que não foi feito no passado", afirmou ao JN Helena Carreiras, lembrando que, nas Forças Armadas, "a redução de efetivos foi profundíssima", o que se tem verificado "sobretudo na categoria de praças".

A implementação da figura do gestor de carreira é uma das ações que visam combater essa tendência, e que, de acordo com o plano da Defesa, deverá estar no terreno "a partir do segundo semestre de 2021", altura em que as Forças Armadas deverão dispor de "50 militares" com essa função.

Ao JN, a secretária de Estado da Defesa, Ana Santos Pinto, explicou que essa medida "assenta na ideia da tutoria": "É alguém que ajuda um militar em regime de contrato a fazer as melhores escolhas, adequadas àquilo que é o desenvolvimento da sua carreira profissional dentro das Forças Armadas, e que depois permitam a certificação e a qualificação para a entrada no mercado de trabalho civil, ao terminar o contrato".

Observatório vai monitorizar medidas

Para aferir os resultados e impactos das estratégias adotadas, será também criado um observatório do serviço militar no segundo semestre deste ano. O objetivo é, como indica a governante, "produzir conhecimento que permita tomar as melhores opções".

O plano pretende ainda intervir ao nível da formação, que é uma das áreas que concorre para os "níveis de insatisfação profissional e organizacional relativamente elevados" que Helena Carreiras detetou no estudo efetuado. Por isso, quer-se avançar com "a certificação das competências de acordo com o sistema nacional de qualificações", salientou a secretária de Estado da Defesa.