Incêndios

Monchique diz que 'kits' serviram para informação e sensibilização

Monchique diz que 'kits' serviram para informação e sensibilização

O presidente da Câmara de Monchique, Rui André, desvalorizou esta sexta-feira a utilização em situação de emergência dos 'kits' distribuídos pela Proteção Civil no âmbito do programa Aldeia Segura, considerando-os como de informação e sensibilização para casos de fogo.

No concelho de Monchique, no Algarve, os 'kits' da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) foram distribuídos a cerca de 60 pessoas da freguesia de Alferce, um dos dois aglomerados populacionais considerados como aldeia neste município do distrito de Faro, no Algarve.

"Sinceramente, não considerámos que fossem para ser utilizados em caso de emergência, mas sim como informação sobre como as pessoas deveriam atuar em situações de fogo", afirmou o autarca social-democrata.

Segundo Rui André, o material distribuído pela ANEPC foi acompanhado por informação complementar da Proteção Civil Municipal de Monchique "sobre como as pessoas deveriam atuar em caso de incêndio, como aliás veio a acontecer alguns meses depois no incêndio de agosto de 2018".

"A autarquia, juntamente com as juntas de freguesia, colocou sinalética nos aglomerados populacionais, com indicações para onde as pessoas se devem dirigir e como atuar", sublinhou.

Fonte da Proteção Civil Municipal de Monchique disse à Lusa que o 'kit' continha material relevante do ponto de vista informativo sobre como atuar em situações de fogo, não tendo aconselhado a utilização da gola ou máscara distribuída no âmbito deste programa.

"Sempre aconselhámos a utilização de máscaras com filtro de carvão, as mais indicadas para prevenir a inalação de fumos, e que foram distribuídas aquando do incêndio de agosto", frisou a fonte da Proteção Civil.

A mesma fonte referiu que, na altura da distribuição às pessoas, até "foi comentado que a gola ou pano existente no 'kit' era indicada para ser colocada nas maçanetas das portas, como indicação de que a casa já estava desocupada".

"Ao contrário daquilo que é aconselhado pela ANEPC, que é deixar uma luz acesa quando a casa está desocupada, nós consideramos que a colocação de um objeto na maçaneta surte mais efeito, até porque, em muitos casos, as povoações ficam sem eletricidade" devido a incêndios, justificou a fonte da Proteção Civil municipal.

Na sequência da manchete de hoje do Jornal de Notícias, sobre a distribuição de equipamento fabricado com material inflamável no âmbito do programa "Aldeias Seguras" e "Pessoas Seguras", a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil afirmou que os materiais distribuídos não são de combate a incêndios nem de proteção individual, mas de sensibilização de boas-práticas.

Questionado esta quinta-feira sobre a notícia avançada pelo JN, o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, respondeu que é "verdadeiramente irresponsável e alarmista", considerando que revela "desconhecimento de questões técnicas que a Autoridade Nacional de Proteção Civil já esclareceu".