Polémica

Não há rostos, só caras tapadas. Afinal o que é o IRA - Intervenção e Resgate Animal?

Não há rostos, só caras tapadas. Afinal o que é o IRA - Intervenção e Resgate Animal?

Apresenta-se como um grupo "na vanguarda da proteção dos direitos dos animais". Não há rostos, só caras tapadas. São suspeitos de ações violentas face a casos de maus tratos a animais.

O IRA - Intervenção e Resgate Animal tem mais de 136 mil seguidores na rede social Facebook, onde divulgam imagens de animais mal tratados, fazem apelos para a adoção de animais abandonados e divulgam ações de sensibilização em escolas, como a que surge na quinta-feira, numa escola básica da Portela de Sacavém, Lisboa.

Dizem que atuam na "deteção, planeamento e resgate de animais vítimas de negligência e/ou maus-tratos" e no sentido da "sensibilização e divulgação da legislação referente aos direitos dos animais".

Lê-se numa mensagem de 12 novembro: "Faz hoje 1 ano que recebemos a denúncia sobre a Esperanza às 21h. Pouco passava da meia-noite já ela estava a caminho do seu Renascimento nas nossas instalações com o resgate concluído. Porque aqui não perdemos tempo".

A 8 de novembro, as imagens de Zucky: "Levou um tiro de caçadeira em Banda de Soure - Coimbra. Sobreviveu. Foram detetados mais de 30 chumbos na cabeça, mas desconhecem o autor do disparo. Se alguém presenciou ou tem alguma informação sobre este crime contra o bem-estar dos animais de companhia, por favor enviem-nos mensagem privada ou contactem diretamente GNR Posto Territorial Soure".

Num "post" datado do passado dia 14, lê-se: "Os maus-tratos aos animais são um problema em Portugal, dos GRANDES! Então um grupo de matulões praticantes de desportos de combate reuniu-se e abraçou não esta causa, mas esta luta. Começou de uma forma impiedosa, conquistou o medo e o respeito dos trastes que abandonam ou cometem atrocidades contra animais".

IRA é um nome que remete para o conhecido grupo paramilitar irlandês que lutou pela independência da Irlanda do Norte do Reino Unido. No caso do grupo de Intervenção e Resgate Animal, IRA representa a raiva perante os maus tratos aos animais, sendo que os seus membros de autodenominam "irados".

E no mesmo post lê-se: "Vou chamar os IRA" já era suficiente para meter muitos detentores a limpar os espaços, a alimentar melhor os animais, a passeá-los ou a levá-los ao veterinário".

"Depois há os mais atrevidos. Aqueles que batem nos animais e acham que ninguém os enfrenta. Aqueles que sempre saíram impunes diante dos olhares dos vizinhos que não se calam, não se conformam. Aqueles que sabem que os agentes da PSP e os militares da GNR não fazem nada, porque não possuem meios ou não têm autorização dos superiores hierárquicos", acrescentam.

"O que se anda a passar em Portugal com os animais não é brincadeira nenhuma. (...) O que se passa em Portugal contra os animais é um problema, GRANDE. E para GRANDES problemas, GRANDES medidas", defendem.

Os "irados" atuam de cara tapada e vestidos de negro. Usam vocabulário agressivo, como "luta" e "começou de uma forma impiedosa, conquistou o medo".

A Unidade de Contraterrorismo da Polícia Judiciária e o Ministério Público estão a investigar o grupo por crimes como assalto à mão armada, sequestro e terrorismo.

Numa reportagem emitida pela TVI, na quinta-feira, donos de alguns animais resgatados pelo IRA garantem que foram vítimas de roubos e perseguições armadas e ameaças. Um dos membros deste grupo será Cristina Rodrigues, chefe de gabinete do grupo parlamentar do partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN) e membro da comissão política do partido. Em comunicado, o partido anunciou que mantém a confiança política na sua dirigente.

Depois da emissão da reportagem, o IRA reagiu no Facebook a negar os factos e prometem "desconstruir esta cabala, peça por peça".