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Nogueira avisa que professores não vão desistir do tempo de serviço

Nogueira avisa que professores não vão desistir do tempo de serviço

Mário Nogueira acusou esta terça-feira o primeiro-ministro de proferir "um chorrilho de mentiras" para pôr a opinião pública contra os professores.

O líder da Federação Nacional de Professores (Fenprof) garante que os docentes "não vão baixar os braços" - o pré-aviso para a greve às avaliações pode ser entregue até 22 de maio e para 5 de outubro, véspera das legislativas, está marcada uma manifestação.

Esta tarde os sindicatos vão enviar aos cinco partidos que apresentaram propostas de alteração ao decreto-lei do Governo uma carta aberta a pedir-lhes que repensem o seu voto. Desde a votação preliminar na semana passada e depois da ameaça de demissão proferida pelo primeiro-ministro que PSD e CDS recuaram e anunciaram que fariam depender a recuperação integral do tempo da aprovação de clausulas que condicionam o faseamento à evolução económica. BE e PCP já anunciaram que não aprovarão e assim a coligação negativa que levou António Costa a ameaçar sair desfez-se. Hoje de manhã, Nogueira lançou um último apelo.

"Deixem-se de politiquices, pensem nos professores. Não levem para cima da mesa aspetos não essenciais para o que está a ser discutido e votado. Não aprovem nada que mate em definitivo a luta dos professores", pediu Nogueira.

Interpelado pelos jornalistas sobre o que decidirão os sindicatos se os partidos deixarem cair a recuperação do tempo, o líder da Fenprof começou por garantir que irá estar nas galerias do Parlamento no dia da votação final global das propostas. Depois, recordou que há duas ações de luta já anunciadas, após a consulta feita aos docentes no segundo período: a manifestação a 5 de outubro, véspera das eleições legislativas e a greve às avaliações a partir de 6 de junho, cujo pré-aviso por ser entregue até 22 de maio. "Temos tempo para já. Não é a maior preocupação neste momento".

"O ministro da Educação desapareceu" e o primeiro-ministro diz um "corrilho de mentiras", defendeu numa conferência de Imprensa em Coimbra. Respondendo diretamente à entrevista ontem à noite de António Costa, Nogueira sublinha que não são os professores que quebram a equidade na administração pública. As negociações, acusou, "não passaram de uma farsa e uma tentativa para enganar os portugueses". Os professores do Continente é que são discriminados face aos docentes que exercem nas ilhas com o voto conivente do PS que viabilizou na Madeira e nos Açores a recuperação integral do tempo de serviço, criticou Nogueira.

O líder da Fenprof acusou ainda António Costa de mentir quando rejeita as propostas dos partidos por delegarem para um próximo executivo o pagamento da recuperação, pois o custo do decreto do Governo, que prevê a recuperação de dois anos, nove meses e 18 dias também será pago na próxima legislatura. Portanto, "também atira para cima de outro Governo".

Os diversos valores apontados pelo Executivo critica são "milhões para virar os portugueses contra os professores" Mas, "um Governo que vira contra um setor profissional a população do país é um Governo que não tem condições de governar", insiste.

Nogueira condena o discurso de "chantagem destinado a isolar os professores" e volta a garantir que os professores "não vão baixar os braços".

"Sabemos que não há dinheiro mas só não há dinheiro para quem trabalha. Para injetar na banca, alimentar PPP ou para tapar buracos de gestão danosa há aos milhões", defendeu.