Desamparo

O desespero da mãe de soldado morto no curso de comandos: "Preferia ter ido com ele"

O desespero da mãe de soldado morto no curso de comandos: "Preferia ter ido com ele"

Desamparo. É a palavra que descreve a situação em que vive Lucinda Araújo, a mãe do militar Dylan Silva, que morreu faz hoje três anos num curso de comandos.

Sem apoios - afetivo, financeiro e psicológico -, divorciada, a mulher de 49 anos vive isolada, na sua casa em Gemieira, Ponte de Lima. Criou um mundo só dela, onde convive com várias fotografias do filho, na companhia da cadela Nina, que pertencia ao militar, e dos gatos Max, Estrela (que Dylan encontrou abandonada um mês antes de morrer) e Mia. Esta última levou-a para casa depois de a encontrar, repetidas vezes, junto à campa do jovem, que visita todos os dias.

"Estes animais não me deixam ir embora, senão já tinha ido ter com o meu filho. A Nina ainda hoje sente a falta dele. Pede-me para entrar para o quarto dele e deita-se lá. Acho que estamos as duas à espera dele ainda", diz, reconhecendo: "Não sei se esta minha maneira de viver é saudável. Estou sempre a falar com o Dylan. Acordo e deito-me a falar com ele. Vou no carro a falar com ele. O meu filho vive em mim. Foi a maneira que arranjei para conseguir aguentar isto. A vida é um peso, agora. Preferia ter ido com ele. Era mais fácil".

Lucinda lamenta que, três anos após o falecimento, o filho tenha caído no esquecimento. "O Exército quer os jovens mas depois acontece uma coisa destas e esquece-os", desabafa.

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