Rui Rio

"O Governo passou a linha vermelha" por pressão do PCP e do BE

"O Governo passou a linha vermelha" por pressão do PCP e do BE

Rui Rio acusou, esta segunda-feira à noite, o Governo de ter "passado a linha vermelha" por estar a aliviar a austeridade mais rapidamente do que deveria por pressão do PCP e do BE.

"Esta governação passou a linha vermelha, porque foi obrigada a passá-la por força do PCP e do BE. Se o PS estivesse sozinho a governar, não o faria. O alívio da austeridade é o caminho correto, mas não à velocidade que está a ser feito, pois está a agravar a nossa dívida externa", entende o social-democrata, considerando que o défice externo é o principal problema do país.

O ex-presidente da Câmara do Porto discorda de Pedro Passos Coelho, líder do PSD, quando este considera que o Governo é comandado pelo Bloco de Esquerda. "Não é o BE que comanda o Governo, mas é evidente que o BE e o PCP são elementos decisivos no passar da linha vermelha", afirmou, esta segunda-feira à noite, no Clube dos Pensadores, em Gaia. Ainda assim, acredita que o acordo à Esquerda poderá estar para durar. "Temos uma maioria estável e não se prevê que caia no imediato".

Apesar de questionado por diversas vezes sobre o seu futuro político e se perspetiva disputar a liderança do PSD, Rui Rio recusou dar uma resposta concreta à questão. Limitou-se a recordar que o congresso do PSD decorreu há cerca de dois meses e que existe uma "direção eleita que precisa e tem direito a ter o seu tempo de afirmação. Não podemos estar em permanente instabilidade", frisou.

O debate do Clube dos Pensadores versou sobre a regionalização e o social-democrata criticou o Governo pela demissão de Emídio Gomes da liderança da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N). "Não compreendo como é que o presidente da CCDR-N é demitido pelo Governo quando tem o apoio maioritário da região, sendo o mesmo Governo que quer colocar os autarcas a eleger o presidente da CCDR-N", contestou.

Rui Rio é desfavorável à proposta do Executivo socialista de escolha dos líderes das comissões de coordenação e desenvolvimento regional por sufrágio indireto dos autarcas, considerando que vale a pena ambicionar mais e fazer a regionalização após uma reflexão profunda e alargada ao país. "Era preferível não fazer essa eleição agora e fazer uma reforma completa", defendeu o ex-autarca, certo de que a transferência de competências "só faz sentido se se fizer mais com menos". A redução de despesas é um ponto essencial para Rui Rio no processo de regionalização, ou seja, ao passar-se uma competência para o Poder Local ou para as regiões, deve implicar sempre a redução do orçamento desse serviço.

No entanto, Rui Rio tem dúvidas sobre a divisão do mapa nacional. "As cinco regiões plano (Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve) são as que fazem sentido. Só tenho dúvidas se devem existir mais duas: as áreas metropolitanas do Porto e de Lisboa", acrescentou ainda. O antigo presidente da Câmara do Porto receia que, caso seja integrada na região Norte, a Área Metropolitana do Porto faça a Bragança o que Lisboa faz hoje ao país.

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