Crise Financeira

O pedido de ajuda de Portugal na Imprensa internacional

O pedido de ajuda de Portugal na Imprensa internacional

O pedido de ajuda financeira de Portugal é a notícia do dia em Espanha, com a imprensa generalista e económica, em papel e online, a dedicar as manchetes ao tema, descartando o efeito de contágio. Irlanda, Grécia, França e Reino Unido também noticiam o assunto.

"Portugal solicita o resgate da UE" faz a manchete do jornal "El Pais", que destaca o facto de a "banca espanhola possuir mais de 75 mil milhões de euros em créditos e outros activos".

"Grécia, Irlanda e agora Portugal", escreve o "El Pais", que destaca a crise política e o agravamento dos juros da dívida como os antecedentes do resgate anunciado e que estima poderá alcançar os 75 mil milhões de euros.

O diário "El Mundo" refere que "Portugal pede à UE o resgate, depois dos seus bancos lhe fecharem a torneira". Segundo o jornal, "a pressão dos dois vizinhos vergou a resistência lusa", tendo tanto Espanha como França "recusado conceder empréstimos bilaterais mais flexíveis".

O também conservador "ABC" dedica a manchete ao pedido de resgate nacional, considerando que "Portugal não aguenta a pressão e pede ajuda ao fundo de resgate" enquanto o "La Razon" também se refere ao valor de 75 mil milhões de apoio.

"Portugal cai e solicita o resgate", lê-se no título que serve de legenda à foto de um 'broker' num "banco português", não identificado, a olhar para ecrãs com indicadores dos mercados.

No caso do "Público", à esquerda, quase toda a primeira página é preenchida por uma foto de José Sócrates, marcada por uma das frases do primeiro-ministro: "não tomar esta decisão acarretaria riscos que o país não pode assumir".

O assunto domina as manchetes também nos económicos, com o "Expansion", o "Cinco Dias" e o "El Economista" a darem ampla cobertura à situação em Portugal.

"Portugal rende-se e solicita um resgate financeiro aos seus parceiros na zona euro", escreve o "Expansion", afirmando que "Espanha afasta-se do contágio no momento mais oportuno" e considerando que esta é "uma decisão forçada pela UE, a oposição e a banca".

O "Cinco Dias" acrescenta que "Bruxelas considera que o risco de contágio a outros países é agora praticamente nulo". A "tranquilidade de Bruxelas baseia-se na evolução dos diferenciais de rendimento dos títulos de países como a Espanha, Bélgica e Itália, em relação aos títulos alemães, que caíram ou se mostraram praticamente intactos nos últimos dias sem acusar o iminente resgate de Portugal".

Irlanda dividida sobre impacto

A imprensa irlandesa contradiz-se obre se o pedido de assistência financeira anunciado por Portugal pode ser positivo ou negativo para a Irlanda.

No "Irish Times" lê-se que a ajuda a Portugal "pode diminuir as hipóteses de conseguir melhores condições" do resgate UE-FMI que Dublin negociou em Novembro do ano passado.

"Ao contrário da Irlanda e Grécia, que gozaram de booms artificiais, a economia anémica de Portugal não mostra sinais de vida há mais de uma década, conseguindo apenas um crescimento muito fraco", escreve o editor de economia.

Já o "Independent" irlandês considera que "de uma perspectiva irlandesa, o resgate de Portugal pode, pesando bem, ser um desenvolvimento positivo". O jornal sugere que os três países que pediram ajuda podem "formar um bloco negociador quando chegarem as negociações com a Alemanha sobre o tipo de assistência que vão precisar nos próximos anos".

Grécia destaca "alívio" de Bruxelas

Na imprensa Grega, o pedido de assistência financeira por parte de Portugal é noticiado, apesar de o destaque ser dado aos problemas nacionais e à discussão sobre a eventual reestruturação da dívida grega.

O diário "Ta Nea" refere na primeira página que, após Grécia e Irlanda, esta foi a vez de Portugal cair nos braços da "troika" (UE, Banco Central Europeu e FMI).

A taxa de juro dependerá de quando o sistema de apoio financeiro europeu emitir o empréstimo, noticia o diário "Kathirimi", com base numa fonte anónima da União Europeia. Mas tudo aponta, acrescenta, para que o resgate seja composto por dois terços de fundos da UE e um terço do FMI.

No jornal "To Vima" fala-se numa sensação de "alívio" da parte Comissão Europeia, dando conta de estimativas para o plano de resgate de cerca de 80 mil milhões de euros.

França sublinha "inevitabilidade" do resgate

A imprensa francesa noticia, com atenção moderada, o pedido de ajuda português como uma "inevitabilidade" que o Governo de Lisboa "finalmente aceitou".

O diário "Libération", sem chamar o tema para a primeira página, noticia na secção de Economia que "o governo português fará finalmente apelo à União Europeia, o que era excluído até ontem [quarta-feira]".

Também o jornal "Le Monde" salienta que, "após ter recusado durante vários meses a decidir-se, Portugal fez oficialmente apelo ao mecanismo europeu de financiamento, para ajudar o país a sair da tempestade financeira criada pela sua dívida pública".

O "Fígaro" coloca a decisão do primeiro-ministro português no cabeçalho da edição desta quinta-feira, resumindo a situação com o título "Portugal constrangido a pedir ajuda à Europa".

Reino Unido "dá" vitória aos bancos

O "Guardian", em editorial, compara Portugal s a "um morto-vivo desde que o primeiro ministro se demitiu a 23 de Março", tendo José Sócrates demorado duas semanas a "aceitar o inevitável".

No diário "The Times" lê-se que o país deve "engolir o orgulho" porque "não havia alternativa" perante um governo fraco e uma economia de baixo crescimento. A notícia do resgate, escreve o colunista Roger Boyes, vai ser bem recebida pelos mercados por ser considerada uma forma de estancar a crise.

Mas, para o "Financial Times", esta foi uma vitória dos bancos, depois de estes terem ameaçado com uma retirada do mercado de obrigações. "A altura certa para pedir um resgate externo teria sido no final do debate nacional", diz o jornal financeiro, que tem a situação portuguesa na primeira página.