Alimentação

OMS preocupada com bolos de pastelaria

OMS preocupada com bolos de pastelaria

Cerca de um terço (30%) dos bolos de pastelaria possuem elevada quantidade de ácidos gordos trans, revela um relatório da OMS.

A investigação foi à procura deste tipo de gordura numa multiplicidade de produtos vendidos em Portugal - de chocolates, a batatas fritas - e foi nas categorias pastelaria e biscoitos que encontrou motivos para "preocupação".

Das 268 amostras recolhidas de forma aleatória, 17% continham mais de 2% deste tipo de gordura, valor de referência adotado, por exemplo, na Dinamarca, explica Susana Casal, professora da Universidade do Porto e autora da pesquisa.

Fechando o ângulo, considerando apenas os bolos de pastelaria, este valor das gorduras trans dispara para os 30%. "Esta observação foi consistentemente encontrada em todo o território português", refere o documento.

Este problema foi detetado nas pastelarias de produção local e não na indústria (que embala as peças) porque é aí onde se compram as margarinas baratas, muitas vezes, sem que o fabricante tenha a perceção do erro que está a cometer, conta Susana Casal. "Pode haver falta de informação", afirma. "Os proprietários e pasteleiros têm de saber que as gorduras parcialmente hidrogenadas são as mais nocivas, mais do que as hidrogenadas".

"A indústria acaba por não arriscar na inclusão dos ácidos gordos trans porque está vigiada", considera Pedro Graça, responsável pela área da área da alimentação na Direção Geral de Saúde (DGS). "E como estes produtos carecem de rótulo, a sua presença mantém-se invisível".

Para Susana Casal, torna-se importante intervir junto dos fornecedores. Pedro Graça pede que se evitem os bolos, que não se comam todos os dias.

Os ácidos gordos trans, que resultam de um processo de hidrogenação que transforma óleo em substância pastosa, são os mais prejudiciais para a saúde: agridem o sistema circulatório, potenciam as doenças cardio-vasculares.

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