Lince ibérico

Paprika e Pontilha libertadas em Mértola

Paprika e Pontilha libertadas em Mértola

Portugal conta já com 62 linces ibéricos. Governo prepara projeto de reintrodução na Serra da Malcata.

Paprika e Pontilha, duas fêmeas de 11 meses, foram, esta quinta-feira, de manhã libertadas na Herdade da Bombeira, em Mértola. Oriundas do Centro Nacional de Recuperação em Cativeiro em Silves e do Centro La Granilla, em Espanha, vão reforçar o efetivo de linces ibéricos a viver no Vale do Guadiana.

No mês em que se assinalam quatro anos sobre o lançamento do programa de reintrodução da espécie, o balanço não podia ser mais positivo: 45 linces nascidos em Portugal, com uma população total de 62.

"Um caso de sucesso" e resultado de "um trabalho de grande perseverança", diz ao JN a secretária de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza, explicando que a libertação de uma fêmea oriunda de Portugal e outra de Espanha visa "assegurar um perfil genético mais reforçado e diversificado". Desde 2014, recorda, já foram libertados no Vale do Guadiana, classificado como Sítio de Importância Comunitária da Rede Natura 2000, 37 linces ibéricos.

A governante adianta ainda estar a correr uma candidatura conjunta de Portugal e Espanha para o lançamento do projeto Life+ Iberlince 2, orçado em 20 milhões de euros, com vista a consolidar os núcleos de reintrodução de linces já iniciados na Península Ibérica. Sucederá, assim, ao Life+ Iberlince, que terminou no final do ano passado com mais de 600 linces ibéricos na Península.

Recorde-se que, em 2002, havia apenas 92 linces na Península Ibérica, a maioria dos quais na Andaluzia. Hoje, serão mais de 600, com populações também no Vale do Guadiana. Razão pela qual, em 2015, o lince ibérico deixou de ser uma considerada espécie em perigo crítico de extinção.

Outro dos objetivos, segundo afirma a secretária de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza, passa também por "alargar a população aos territórios originais onde existiam linces" antigamente, nomeadamente à Serra da Malcata. Para o efeito, revela Célia Ramos, o Governo está a trabalhar com os municípios "num projeto para criar condições de habitat na Serra da Malcata para que o lince possa ser reintroduzido".

Recuando a 2014, quando foi lançado o programa de reintrodução da espécie, há dois nomes a reter: Katmandú e Jacarandá. Foram os primeiros linces a serem libertados no meio natural. Dois anos mais tarde nascia a primeira cria em meio natural, em Mértola, filha de Jacarandá. Chamaram-lhe Nossa. O batismo esteve a cargo dos cidadãos, convidados a participarem na escolha dos nomes das crias nascidas em Portugal. Ao todo, já nasceram 45 linces no Vale do Guadiana.