Debate quinzenal

Passes: PSD acusa Governo de "medida eleitoral como nunca se viu"

Passes: PSD acusa Governo de "medida eleitoral como nunca se viu"

O PSD classificou os novos passes únicos como "uma medida eleitoral como nunca se viu", no debate quinzenal com o primeiro-ministro, esta terça-feira, no parlamento.

A uma semana dos novos passes únicos entrarem em vigor, o líder parlamentar do PSD criticou esta terça-feira, no debate quinzenal no Parlamento, o formato do programa que cria o passe único e abrange 85% da população.

Para Fernando Negrão, os títulos de transporte, anunciados formalmente pelo Governo e Área Metropolitana de Lisboa, são "uma medida eleitoral como nunca se viu". Frisou, ao defender que a medida se alargue com a mesma dimensão financeira a outras comunidades intermunicipais, que "Lisboa tem um PIB per capita superior à media da UE" e mesmo assim será a região do país mais beneficiada com a redução tarifária, quando "existem regiões no país em que a média [do PIB] é de 70%".

Em resposta, António Costa apontou que "é errada a ideia de que só se vai aplicar nas áreas metropolitanas [de Lisboa e Porto]". "Aplica-se em todo o país", assegurou, sublinhando que serão os "autarcas de cada região" que entenderão como aplicar esta redução do valor dos passes.

"Dezoito das 23 comunidades intermunicipais (CIM) apresentaram dentro do prazo previsto a sua proposta de redução do tarifário", explicou, para esclarecer porque motivo algumas CIM não terão o passe único.

O primeiro-ministro acusou ainda o PSD, em conjunto com o CDS, de ter provocado uma perda de passageiros nos transportes públicos e deixado a ferroviária e os metropolitanos sem material circulante.

Destacando a suspensão de muitas centenas de ligações ferroviárias em 2017, devido a problemas com composições da CP, o líder da bancada laranja argumentou que não haverá capacidade das transportadoras públicas para fazer face ao aumento que pode ocorrer de passageiros.

Em resposta, António Costa assegurou que nesta legislatura o investimento nas empresas ferroviárias, rodoviárias e fluviais do Estado é já "cinco vezes mais do que na legislatura anterior".

Mas perante os apupos da bancada do PSD, ao elencar os concursos públicos de aquisição de material circulante da CP e da Soflusa/Transtejo, o primeiro-ministro recusou continuar a responder a Negrão: "os senhores deputados já estão esclarecidos".

O líder parlamentar social-democrata ainda insistiu que o Governo "criou o passe único mas aquilo que são os transportes públicos ainda estão em concurso e os portugueses que se amanhem". A que acrescentou o facto de, "desde novembro do ano passado, que a gasolina não estava tão cara".

Costa sublinhou que os social-democratas "são contra o passe social e defensores da gasolina", além de terem votado contra a redução tarifária na "votação do Orçamento do Estado [para 2019]".

Imobusiness