O Jogo ao Vivo

Nacional

Passos exige explicações sobre alterações ao acordo com a "troika"

Passos exige explicações sobre alterações ao acordo com a "troika"

O presidente do PSD disse não ter sido avisado pelo Governo de alterações ao acordo sobre a ajuda externa a Portugal, algumas das quais "substanciais", e exigiu explicações do executivo do PS.

"Gostaríamos que o Governo, que não nos informou que houvesse essas diferenças, explicasse rapidamente que por que razão é que publica um texto oficialmente com a versão que foi assinada, quando ela não corresponde à versão que foi dada a conhecer aos partidos políticos na altura em que nos pronunciámos sobre ela", declarou Passos Coelho, durante uma acção de campanha, em Valpaços.

Questionado pela comunicação social, o presidente do PSD declarou que foi "surpreendido" pela notícia de que há diferenças entre o documento assinado em Portugal no dia 3 de Maio, com o qual o PSD também se comprometeu, e o que foi assinado em Bruxelas no dia 17 de maio, na reunião do Ecofin.

Passos Coelho acrescentou que o PSD está "a comparar as duas versões e a estudar as diferenças" e contestou que estejam em causa "pequenos ajustes", como alegou o primeiro-ministro, contrapondo que "há, sobretudo, diferenças respeitantes aos prazos que são fixados para que as políticas e os objectivos sejam preparados e atingidos, mas há também algumas alterações de substância".

Como exemplo, apontou: "Ao contrário do que o primeiro-ministro disse, de resto, no debate que teve comigo, as alterações à Taxa Social Única não são para introduzir apenas no Orçamento para o próximo ano, têm de estar preparadas, e o estudo tem de estar concluído até Julho deste ano - o que significa, portanto, que é impossível que o Governo, nesta fase, não tenha já tomado decisões sobre essa matéria".

Segundo o presidente do PSD, "o mesmo se pode aplicar a reformas na área da justiça ou mesmo à concessão de novas frequências, nomeadamente na área das comunicações".

Passos Coelho considerou que "é muito pouco transparente e muito pouco natural que um Governo que tenha assinado em nome do país um documento o venha a publicar com alterações sem dar conta formalmente ao país de quais elas são".

"Assim é muito difícil nós entendermo-nos, com esta falta de transparência. Não sei porque é que o Governo não teve a coragem logo de dizer qual era afinal o documento que tinha assinado", acrescentou.

O cabeça de lista social-democrata pelo Porto, Aguiar Branco, considerou que "o Governo desta vez foi longe demais". "Em 35 anos de democracia, creio que não haverá um exemplo tão flagrante de um Governo ter ido longe no desrespeito pelos restantes partidos da oposição", afirmou