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Passos quer maioria clara e tem programa para governar oito anos

Passos quer maioria clara e tem programa para governar oito anos

O presidente do PSD, Passos Coelho, disse esta noite que está a trabalhar num programa de Governo para oito anos - dois mandatos - e que vai lutar para ganhar as eleições com uma "maioria clara", embora prometa um Governo conm "outras forças políticas" e aberto a outras personalidades que não só do PSD.

"Nós precisamos de mais legitimidade do de que um partido para governar", disse, não especificando se também conta com pessoas do PS para esse futuro Governo.

Em entrevista à SIC, Passos Coelho disse que o PEC IV foi "a gota de água" na falta de credibilidade do Governo de José Sócrates e justificou o chumbo do PSD com o facto de haver "limites para tudo", referindo-se aos cortes que estavam previstos nas pensões sociais.

"Isto significa que tudo aquilo que o Governo disse que não precisava de fazer, falhou", disse, congratulando-se com o facto de o primeiro-ministro ter compreendido a mensagem do Parlamento e apresentado a sua demissão. Se não o tivesse feito, diz o líder do PSD, teriam avançado com uma moção de censura.

Passos reafirmou que, neste momento, "ninguém no seu perfeito juízo se pode comprometer" a não aumentar impostos e admitiu que, "no curtíssimo prazo", se tiver necessidade, irá recorrer ao aumento dos impostos sobre o consumo.

"Preferia mil vezes arranjar dinheiro pelo lado da receita sobre o consumo do que ir às pensões mais degradadas", disse, referindo-se à hipótese de aumento do IVA que ontem admitiu.

O futuro candidato a primeiro-ministro mostrou-se confiante de que Portugal não irá precisar de recorrer a ajuda externa, mas preferiu não "diabolizar" um eventual recurso ao Fundo Monetário Internacional, como alega que o primeiro-ministro demissionário tem feito acusando-o de ter feito dessa ajuda "uma questão de honra nacional".

"Portugal é um dos países que faz parte do FMI, que existe para ajudar a superar essas crises", disse, dando o exemplo da Irlanda e da Grécia que hoje "pagam juros da dívida pública muito menores que os de Portugal".