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Paulo Rangel diz que Portugal não deve aceitar exército europeu

Paulo Rangel diz que Portugal não deve aceitar exército europeu

O eurodeputado social-democrata Paulo Rangel mostrou-se, esta terça-feira, contra a criação de um exército europeu, defendendo antes o aprofundamento da cooperação reforçada de Defesa, num comentário ao discurso da chanceler alemã, Angela Merkel, no Parlamento Europeu.

"Sinceramente sou contra a ideia de um exército único, não me parece que seja uma coisa positiva", disse Rangel à Lusa após o debate com a chanceler alemã, Angela Merkel, sobre o Futuro da Europa.

Merkel defendeu hoje em Estrasburgo que a cooperação militar na UE "é muito boa", mas que a Europa deve "trabalhar na visão de um dia criar um verdadeiro exército europeu", que pode ser "um bom complemento à NATO".

O eurodeputado social-democrata considerou que, uma vez que Merkel falou de um exército "num esquema complementar à NATO", o mesmo pode ser alcançado com a criação de "um mercado europeu de defesa", assente em "sinergias em termos de produção de material, não apenas de armamento", mas "material que pode interessar às forças de proteção civil ou à guarda costeira".

"É preciso mais (cooperação), mas não é preciso um exército único e Portugal não deve aceitar isso", insistiu.

"Para mim, enquanto português e enquanto europeu, é fundamental mantermos a parceria transatlântica", acrescentou, recusando reações ao menor interesse do Presidente norte-americano, Donald Trump, na NATO porque "os EUA voltarão naturalmente à sua matriz original".

Em termos globais, considerou o eurodeputado social-democrata, a intervenção de Merkel foi "muito moderada, muito comprometida com o projeto europeu" e "trouxe boas notícias" sobre a reforma da zona euro, ao dizer que vai apresentar, com o Presidente francês, Emmanuel Macron, "um plano para completar não apenas a união bancária, como também o sistema de garantia de depósitos".

Questionado sobre o fim próximo da liderança política da chanceler na Alemanha, uma vez que anunciou que não se recandidata à liderança da CDU, Paulo Rangel considerou esse afastamento "saudável em democracia", mas admitiu que Merkel, "na política europeia, pode ainda vir a jogar um papel mais tarde", frisando contudo que tudo depende da situação política alemã e de o Governo de Merkel se manter, ou não, no poder nos próximos meses.

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