Forças Armadas

PCP contra mega exercício da NATO

PCP contra mega exercício da NATO

O PCP manifestou-se contra a realização do mega exercício da NATO em Portugal, previsto para outubro e novembro e envolvendo mais de 30 mil efetivos.

Em conferência de imprensa para assinalar os 70 anos sobre os lançamentos das bombas atómicas norte-americanas no Japão, durante a II Guerra Mundial, o membro do comité central comunista Pedro Guerreiro reiterou a necessidade de "dissolução da NATO", que vai organizar o "Trident Juncture2015" em território português, espanhol e italiano.

"O PCP expressa a sua preocupação e alerta para os perigos da ofensiva militarista dos Estados Unidos (EUA) e da NATO na Europa, onde se integram os exercícios em Portugal, Espanha e Itália, anunciados como os maiores realizados por esta organização belicista. Exercícios militares perspetivados para projetar a intervenção da NATO no Mediterrâneo, Norte de África e Médio Oriente", disse, acusando ainda as autoridades norte-americanas de continuarem a "brandir com a ameaça nuclear".

Segundo o Ministério da Defesa Nacional, mais de três mil militares portugueses vão participar nas manobras agendadas entre 3 de outubro e 6 de novembro (940 integrados na Força de Resposta da NATO2016 e 2220 nos meios complementares). Outros 3 mil elementos das Forças Armadas lusas vão estar nos serviços de apoio.

Em Portugal, o exercício militar vai decorrer nas zonas de Beja, Santa Margarida, Tróia e Setúbal e contará, em território nacional, com mais de 10 mil participantes efetivos de 14 países.

Em simultâneo, será organizado o Fórum da Indústria NATO2015, em 19 e 20 de outubro, em Lisboa, e durante o qual serão apresentadas as principais evoluções tecnológicas em curso ou previstas nas indústrias de defesa.

O responsável comunista considerou que se impõe "a rutura com a política de submissão aos ditames estratégicos e militares dos EUA, NATO e União Europeia, que está a envolver o país nas operações agressivas do imperialismo e a comprometer a soberania e independência nacionais".

"A política externa, patriótica e de esquerda de que Portugal necessita respeita a Constituição da República, assume a defesa da soberania e interesse nacionais, é solidária e aberta ao Mundo e rejeita o imperialismo, o colonialismo e quaisquer outras formas de domínio", continuou.

Segundo Pedro Guerreiro, a política externa lusa deve defender a "solução pacífica dos conflitos internacionais e põe fim à participação militar portuguesa em operações de ingerência e agressão a outros povos".

"O injustificável horror lançado sobre as populações destas duas cidades japonesas (Hiroxima e Nagasaki) provocou 250 mil mortes e muitos outros milhares de vítimas, deixando terríveis sequelas que perduram 70 anos depois. Trata-se de um dos maiores crimes jamais cometidos, que não pode nem deve ser esquecido", lembrou ainda Pedro Guerreiro, apelando à intervenção "para que nunca mais a Humanidade venha a sofrer o horror nuclear".

A 6 de agosto de 1945 o bombardeiro norte-americano B-29, batizado de Enola Gay, largou sobre Hiroxima a primeira bomba atómica espoletada em todo o Mundo - "Little Boy" (miúdo, em Inglês). Dois dias depois foi a vez de "Fat Man" (gordo), em Nagasaki. O Império nipónico viria a render-se pouco depois, seguindo-se as tréguas e o fim da II Guerra Mundial.