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PCP diz que indigitar Passos "será uma perda de tempo"

PCP diz que indigitar Passos "será uma perda de tempo"

Jerónimo de Sousa disse a Cavaco Silva, esta quarta-feira, que "há uma nova realidade" parlamentar, "há uma outra solução governativa" além da coligação PSD/CDS-PP e, por isso, indigitar Passos Coelho como primeiro-ministro "será uma perda de tempo".

Depois de receber em audiência o PSD, PS, BE e CDS-PP na terça-feira à tarde, esta quarta-feira de manhã o Presidente da República está a receber, em Belém, os restantes partidos com representação parlamentar, nomeadamente o PCP, Os Verdes e o PAN.

À saída do encontro com Cavaco Silva, o secretário-geral do PCP revelou o que transmitiu ao chefe de Estado. Jerónimo de Sousa frisou que "há uma nova realidade" resultante dos resultados das eleições legislativas de 4 de outubro, uma vez que "a maioria PSD/CDS-PP foi derrotada ficando em maioria".

E por outro lado, "há uma maioria de deputados que constitui condição bastante para a formação de um Governo de iniciativa do PS, que permite a apresentação do programa [de Governo], a sua entrada em funções e a adoção de uma política com uma solução duradoura, tanto mais duradoura conforme defender os interesses nacionais e corresponda aos anseios dos trabalhadores e do povo português", afirmou o secretário-geral do PCP.

"PSD e CDS não têm condições no plano da relação de forças existente na Assembleia da República de fazer passar o seu programa", pelo que, "não têm condições para que Passos Coelho possa ser indigitado como primeiro-ministro", defendeu o secretário-geral do PCP. Se isso vier a acontecer, acrescentou, "será uma perda de tempo", reiterando que os comunistas apresentarão no parlamento uma moção de rejeição caso seja nomeado um doverno PSD/CDS-PP.

A Constituição da República prevê que o primeiro-ministro é "nomeado pelo Presidente da República, ouvidos os partidos representados na Assembleia da República e tendo em conta os resultados eleitorais".

Nas eleições de 4 de outubro, a coligação Portugal à Frente (PSD/CDS-PP) perdeu a maioria absoluta e obteve 107 mandatos (89 do PSD e 18 do CDS-PP). O PS elegeu 86 deputados, o BE 19, a CDU 17 (dois do PEV e 15 do PCP) e o PAN elegeu um deputado.

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