Refugiados

Penela acolhe 20 refugiados de guerra

Penela acolhe 20 refugiados de guerra

Famílias da Síria e do Sudão devem chegar dia 11, no âmbito dum programa que põe a tónica na integração.

O apartamento está preparado para acolher a família síria composta por um homem de 33 anos, uma mulher de 25 e três crianças de 1, 2 e 3 anos. O berço do bebé, com brinquedos, já está no quarto do casal. A sala, decorada em tons de vermelho e preto, tem no centro uma mesa com três DVD do Noddy. Das cores à altura da mesa - baixa, para que possam fazer ali refeições -, tudo foi pensado para que se sintam bem naquela que vai ser a sua morada durante dez meses. O T3 fica no empreendimento da Camela, em Penela, que vai alojar ao todo quatro famílias de refugiados de guerra: três sírias e uma sudanesa.

São 20 pessoas, 12 delas crianças, que a Fundação ADFP - Assistência, Desenvolvimento e Formação Profissional, de Miranda do Corvo, espera receber no próximo dia 11, vindas do Egito. Entre os adultos, maioritariamente jovens, há até casais de licenciados. "Estas famílias vão estrear o empreendimento", diz o psicólogo Hugo Vaz, um dos elementos da equipa técnica multidisciplinar da ADFP que as vai apoiar, ao abrir a porta da casa.

O psicólogo fala de um "modelo mais humanizado", que passa pelo acolhimento em casas e visa a criação de laços com a comunidade local. Neste caso, uma vila no interior do distrito de Coimbra. "Queremos que eles rapidamente se integrem". A prioridade será vencer "a grande barreira que é a comunicação", explica. A equipa inclui uma tradutora tunisina que vai residir naquele empreendimento também, e haverá aulas de Português. Garantida uma boa adaptação, será tempo de avançar para o campo do emprego.

A ADFP é a entidade responsável pelo programa, que envolve a Câmara de Penela e o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. Financiado em 75% por fundos europeus e no restante pelo Estado português, estava há mais dum ano a ser preparado. E qual é o sentimento, perto da concretização? "Por um lado, felicidade, porque vamos ter oportunidade de ajudar; por outro, muito sentido de responsabilidade, porque temos nas mãos o projeto de vida de pessoas extremamente debilitadas", responde Hugo Vaz.

Trata-se de "cidadãos que têm com certeza sofrido muito", e o papel da Câmara de Penela é "criar condições para que se sintam em casa", refere o vice-presidente, Emídio Domingues, adiantando que já houve uma reunião com responsáveis de entidades locais (Agrupamento de Escolas, Centro de Saúde, GNR e outros) para preparar a integração e está prevista outra em breve. Também foi criado um panfleto informativo destinado à população e até "os párocos fizeram essa divulgação nas homilias".

Na Padaria Doce Penela, Salomé Branco conta que o diretor da escola já informou os alunos e todos "reagiram bem". A gerente do Bar Clube Penelense, Gilda Simões, também não vê inconvenientes. Nem Isabel Meireles, do bazar com o mesmo apelido: "Acho bem. Eles precisam de ajuda, são pessoas. Se nos acontecesse, não íamos gostar que alguém nos acolhesse?".

A ADFP tem capacidade para receber até 200 refugiados em Penela e Miranda do Corvo. Ontem, a presidente do Conselho Português para os Refugiados (CPR), Teresa Tito de Morais, disse acreditar que Portugal tem capacidade para acolher mais refugiados do que os 1500 que o Governo se disponibilizou para receber.