Acusações

Passos e Costa incendeiam debate no Parlamento

Passos e Costa incendeiam debate no Parlamento

Pedro Passos Coelho acusou António Costa, esta quarta-feira, de "desonestidade intelectual", ao "fazer insinuações", e de insultar a bancada do PSD. Costa retorquiu.

Durou mais de 20 minutos o momento em que o "ex" e o atual primeiro-ministro se digladiaram com troca de acusações, durante o debate quinzenal no Parlamento.

Após António Costa ter, mais uma vez, ironizado com as previsões de Passos Coelho no último ano, em relação à economia nacional - lembrando a "vinda do Diabo" -, o líder do PSD recorreu "pela primeira vez" à figura regimental de defesa da honra para denunciar a "falta de respeito do socialista".

"Nunca pensei que tivesse de invocar esta figura regimental para responder a um primeiro-ministro. Há limites para a desonestidade intelectual neste Parlamento. Discuti sempre com lealdade parlamentar e respeito pessoal e institucional todas as questões", atirou Passos. "Desafio a dizer quando é que alguma vez o tenha insultado. Não basta fazer insinuações", prosseguiu.

O social-democrata disse ainda que Costa "não perde oportunidades para desqualificar os seus opositores", frisando que "nem nos tempos de pior memória" consegue destacar exemplos como este.

Costa retorquiu: "ficou claro que [Passos] foi incapaz de dizer onde é que o ofendi".

"Usou da palavra [com a defesa de honra], para mais um episodio da encenação, que procura construir sobre a crispação e degradação do ambiente parlamentar", disse o primeiro-ministro, aludindo às queixas constantes do PSD e do CDS sobre a alegada "asfixia democrática no Parlamento".

"Não perca a cabeça como no último debate", alertou Costa, apontando aos social-democratas que constituem "uma bancada ressabiada".

Em ambas as intervenções, as bancadas do PS e do PSD acompanharam os respetivos líderes, com intensos aplausos de pé.

Perante a estupefação de muitas crianças que estão sentada nas galerias a assistirem ao debate quinzenal, o líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, recorreu logo depois à mesma figura de "defesa da honra". "A bancada do PSD não está ressabiada com nada", explicou. E apontou: "O primeiro-ministro é mal educado".

Costa acabou por concluir esta picardia ao dizer que foi Passos e o PSD que o chamaram de "vil, ordinário, reles e soez". "Não recebo lições de boa educação", concluiu, com um presidente do Parlamento, Ferro Rodrigues, que se mostrou calmo na resolução deste insólito conflito.

Quando se pensava que já não havia mais achas na fogueira, o líder parlamentar do PS, Carlos César, quis também defender a honra da sua bancada, ao referir que "esta Assembleia está confrontada com um comportamento insultuoso para o Governo e desrespeitoso para o trabalho parlamentar". "O PSD perde a cabeça quando tudo lhe corre mal". "Alguém terá uma honra muito escassa quando insulta um primeiro-ministro chamando reles e soez", disse.

Após tal desaguisado parlamentar, quando chegou a vez de o Bloco de Esquerda intervir, a sua porta-voz Catarina Martins foi lapidar, ao admitir que "ninguém percebeu" tal discussão: "Acho mesmo que ninguém percebeu nada do que aconteceu nos últimos momentos".