Concurso

Politécnicos perdem vagas para universidades

Politécnicos perdem vagas para universidades

Entre contas do deve e do haver, os institutos superiores politécnicos saem a perder no Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior, que arranca esta quarta-feira, ao perderem 90 vagas.

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Já as universidades saem reforçadas, com mais 98 lugares, aumentando assim o seu peso para 56% (ver infografia). Ao todo, são 51 568 vagas, se juntarmos as 708 dos concursos locais de Artes do Espetáculo. Tudo somado, são mais oito vagas, quando se espera o mesmo número de candidatos.

Para este balanço não é alheia a obrigatoriedade de as universidades do Porto e de Lisboa terem de aumentar, entre 5% e 15%, o número de vagas em 11 cursos com média de entrada superior a 17 valores. "É um grande sucesso", diz ao JN o ministro Manuel Heitor (ler ao lado). É que as universidades optaram por aumentar todos os cursos pelo máximo.

Voltando aos cálculos, Lisboa fecha, entre universidades e politécnicos, com menos 52 vagas, enquanto o Porto ganha 12 lugares. Olhando para as instituições, a Universidade do Porto e o ISCTE são os grandes vencedores, com mais 55 e 62 vagas, respetivamente. A primeira abriu o curso de Engenharia Aeroespacial, o segundo o de Ciência de Dados.

Ao contrário do que aconteceu no último concurso, e que mereceu críticas, Minho, Aveiro e Coimbra ficaram com o mesmo número de lugares. Já as instituições localizadas nas regiões "deprimidas" somam, no total, mais 27 vagas. Das 15 instituições identificadas pelo Ministério, seis aumentaram o número de vagas, seis mantiveram e três cortaram (politécnicos de Santarém e Beja e Universidade dos Açores).

Índice de excelência

No concurso que agora começa foi introduzido um índice de excelência, "separando", no Porto e em Lisboa, os cursos com nota de entrada superior a 17 valores dos que não tiveram qualquer candidato em 1.ª opção com aquela nota. Os primeiros tinham que aumentar vagas até 15% e os segundos de cortar pelo menos em 5%.

Ao JN, o vice-reitor da Universidade de Lisboa, a maior do país e que acabou por perder 35 vagas, mostra-se crítico. "Há cursos que até podem não encher as vagas, mas como têm um aluno em 1.ª opção com mais de 17 valores mantêm o número de vagas, quando outros em que os últimos alunos entraram com média de 15 valores, mas como não têm um com mais de 17 são obrigados a cortar vagas", concretiza Eduardo Pereira.

Já a vice-reitora da Universidade do Porto, que conseguiu mais 55 vagas, admite tratar-se do "despacho possível", na medida em que a universidade "tem capacidade instalada". Maria de Lurdes Correia Fernandes explica ao JN porquê: "No curso de Engenharia Metalúrgica e de Materiais, com zero inscritos no centro de emprego, gostaríamos de ter aumentado as vagas, por necessidade do mercado, mas nem assim nos [o Ministério] deixaram".

Foco nos candidatos

"Estávamos à espera do que aconteceu no Porto e em Lisboa. Aquando da publicação do despacho alertámos para esta situação", comenta, por sua vez, o presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos. Pedro Dominguinhos recorda ter avisado a tutela de que com o aumento de até 15% "seriam mais os politécnicos a perder e as universidades a aumentar, como se veio a confirmar". Quanto ao referido índice de excelência, lembra que "estamos a afinar, a fazer aproximações, mas que é preciso cuidado na operacionalização".

Ao JN, Manuel Heitor admite que o "sistema tem sido sistematicamente melhorado". Mas que o foco terá de estar nos candidatos. E é essa a preocupação do presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas. "[O despacho] Não resolve o problema de fundo. Porque é preciso alargar a base de recrutamento e reforçar a Ação Social", explica António Fontainhas Fernandes. Quanto aos dados deste concurso, destaca a "regulação do sistema, porque quem tem baixa procura não pode continuar a oferecer esses cursos". De resto, diz, "o número de vagas mantém-se praticamente inalterado".