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Portugal tem mais diabetes e mortes por pneumonia do que a União Europeia

Portugal tem mais diabetes e mortes por pneumonia do que a União Europeia

Portugal tem a mais alta taxa de mortalidade por pneumonia dos 28 países da União Europeia. As doenças respiratórias e a elevada prevalência da diabetes são o calcanhar de Aquiles da Saúde dos portugueses, revela um estudo da OCDE.

Portugal pode orgulhar-se dos resultados conquistados em várias doenças, nomeadamente nas cardiovasculares e nalgumas oncológicas, mas há duas patologias que teimam em colocar o país na cauda da Europa, como evidencia o "Health at a Glance 2018", um estudo anual da OCDE que faz o retrato dos indicadores de saúde na União Europeia (UE), dos cuidados prestados e das necessidades mais evidentes.

Portugal, a República Eslovaca e o Reino Unido têm as mais altas taxas de mortalidade por pneumonia, quase o dobro da UE, enquanto a Finlândia, a Grécia e Áustria têm as mais baixas.

Segundo dados de 2015, nos 28 países da União Europeia registaram-se 28,1 óbitos por cada 100 mil habitantes. Em Portugal foram 57,7 mortes.

Os números de Portugal poderão estar inflacionados por força da metodologia usada para classificar o óbito, como já foi explicado ao JN, a propósito de outros estudos europeus. Ainda assim, a doença merece atenção.

A pneumonia foi responsável por cerca de 140 mil mortes nos países da União Europeia em 2015, representando 30% das mortes por todas as doenças respiratórias.

No total das doenças respiratórias, Portugal surge como o terceiro país com mais mortalidade.

A idade, o tabagismo e abuso de álcool, bem como a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) e infeção por VIH são os principais fatores de risco da pneumonia.

A elevada prevalência da diabetes na população portuguesa (9,9%) face à média da UE (6%) também volta a colocar o país na cauda da Europa.

Em termos de saúde mental, Portugal também não sai bem na fotografia. É o quinto pais da UE com a maior incidência de problemas nesta área.

Em 2016, 18,4% dos portugueses estava diagnosticados com problemas de saúde mental, sendo a ansiedade e as depressões os mais representativos.

Por ser um tema muitas vezes esquecido, a saúde mental ocupa o primeiro capítulo do Health at a Glance 2018 que este ano faz uma estimativa dos custos diretos e indiretos desta patologia.

Em Portugal, estima-se que os problemas de saúde mental tenham um impacto de 3,7% do Produto Interno Bruto (PIB), num total de 6580 milhões de euros.

Este valor reparte-se em custos diretos - 2048 milhões de despesa de saúde e 1652 milhões em apoios sociais - e em custos indiretos - 2880 milhões de euros relativos à produtividade laboral perdida.

Na Europa, um em cada seis habitantes tem um problema de saúde mental, e os custos diretos e indiretos destas patologias estão estimados em 600 mil milhões de euros.

Em termos de mortalidade, Portugal pode orgulhar-se dos resultados conquistados na Doença Isquémica do Coração, mais conhecida por ataque cardíaco.

França, Holanda, Portugal e Espanha são os países com a menores taxas de mortalidade naquela doença.

Nos Acidentes Vasculares Cerebrais estamos a meio da tabela.

Nas doenças oncológicas, a mortalidade está abaixo da média europeia, mantendo-se uma grande diferença entre géneros. Os homens morrem mais de cancro do que as mulheres e o tabagismo explica boa parte deste fenómeno que acontece em todos os países.

A última edição do Health at a Glance aponta duas tendências importantes na Europa: um abrandamento do aumento da esperança média de vida em vários países, que estará relacionado com a redução das mortes por doenças cardiovasculares e com o aumento das mortes dos mais idosos no inverno; e a persistência das iniquidades na esperança média de vida.

Neste último ponto, o relatório chama a atenção para o facto de os europeus com baixos níveis de escolaridade terem menos seis anos de esperança média de vida face aos que tem mais estudos.

Outra desigualdade que não passa despercebida é na acessibilidade à Saúde. Na prática, os europeus pobres têm em média cinco vezes mais dificuldades para aceder aos cuidados de saúde do que os riscos, o que leva a OCDE a alertar para a necessidade de adotar políticas de proteção dos mais desfavorecidos.

No que toca à esperança média de vida, Portugal mantém-se em terreno seguro (84,3 anos para os homens e 78,1 para as mulheres). Porém é dos países em que os últimos anos de vida são menos saudáveis, sobretudo entre as mulheres.

Aos 65 anos, as mulheres podem esperar viver mais 21,8 anos, mas 71% vão ter limitações na sua atividade diária (a média da UE são 53%). Já os homens podem esperar viver mais 18 anos depois dos 65, mas 57% com menos saúde (média da UE são 46%).

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