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Presidente recebido no Porto por protestos e ânimos muito exaltados

Presidente recebido no Porto por protestos e ânimos muito exaltados

O presidente da República foi recebido, esta sexta-feira, no Porto, pelo protesto de bolseiros da Universidade, precários da Lusa e lesados do BES/Novo banco.

Marcelo Rebelo de Sousa estava a entrar no edifício da Reitoria da Universidade do Porto para participar no 108.º aniversário da instituição e já tinha prometido aos lesados que os receberia "em Belém", quando o grupo de cerca de dez pessoas se agitou, empurrando a comitiva, esbracejando e gritando "Ladrões", "Prisão" e "Basta de me manter calado".

"Roubaram o meu dinheiro", "Gatunos", "Prisão imediata para esses ladrões" e "Quero o meu dinheiro" foram outras das palavras dos lesados do BES/Novo Banco, visivelmente nervosos, à entrada do chefe de Estado.

Marcelo Rebelo de Sousa foi abordado por um dos lesados mal chegou à Praça Gomes Teixeira, onde se situa a reitoria, que lhe explicou que queria ter "uma pequena conversa" e perguntou se seria melhor naquele momento "ou depois".

"Continuamos à espera do que é nosso. Fizeram soluções para ajudar alguns senhores com apoio de advogados para usufruírem de 3% de comissões. Estamos rejeitados, postos de parte", alertou o representante do grupo.

O chefe de Estado considerou "mais simples" deixarem a um dos membros da sua comitiva "a indicação" e os contactos, "para depois irem lá a Belém".

"Boa solução, senhor presidente", respondeu o porta-voz.

Marcelo Rebelo de Sousa esteve depois a falar com um grupo de precários da Universidade do Porto que não foram integrados naquela instituição após o Programa de Regularização Extraordinária dos vínculos Precários na Administração Pública (PREVPAP), e com um grupo de precários da agência Lusa, até que os ânimos dos lesados subiram de tom.

O presidente da República recebeu uma carta assinada por 12 instituições que representam os bolseiros e investigadores precários do país e que foi subscrita por mais de 500 pessoas, a pedir ajuda a Marcelo Rebelo de Sousa para ajudar a eliminar a precariedade na ciência.

"É muito grave a nossa situação. Não podemos continuar a viver na dúvida. Faça o que puder por nós, porque nós precisamos mesmo e vamos continuar a lutar pela nossa situação", pediu uma das investigadoras precárias daquela universidade que participou no protesto "Precariedade na Ciência: uma realidade que Governo e Reitores não podem ignorar".

"Precisamos de condições laborais. Não tenho subsídio de férias, subsídio de Natal, quando terminar o projeto não tenho subsídio de desemprego. Preciso de estabilidade", pedia uma das investigadoras a Marcelo Rebelo de Sousa.

O presidente da República disse aos investigadores precários que ia interceder e declarou que "a lei existe", mas "vamos ver se se aplica".