Educação

Professores de informática surpreendidos com projeto GEN10S

Professores de informática surpreendidos com projeto GEN10S

Os professores de informática mostram-se surpreendidos com o projeto que visa formar em programação Scratch cinco mil alunos, lembrando que no âmbito da flexibilização curricular tinham preparado um currículo do 5.º ao 9.º ano com a mesma vertente.

O projeto GEN10S, apresentado segunda-feira numa cerimónia que contou com a presença do primeiro-ministro e do ministro da Educação, visa "reduzir o fosso nas competências digitais e promover a igualdade de oportunidade na área digital entre os mais novos".

Em comunicado, a Associação Nacional de Professores de Informática (ANPI) recorda que no âmbito do processo de flexibilização curricular, que avançará em experiência piloto nalgumas escolas, está prevista a introdução gradual da disciplina de programação no início de cada ciclo e defende que os professores de informática são "os únicos com habilitação legal para o fazer".

"Sabem programar em 'Scratch' e em diversas linguagens por blocos e código e estão nas escolas", recorda a ANPI, sublinhando que "não há um único estudo que mostre que a integração transversal das TIC [Tecnologias de Informação e Comunicação] chega a todos os alunos ou é realizada de forma a atingir níveis e percentagens que garantam a igualdade de oportunidades".

Sobre a igualdade de oportunidades, a ANPI diz ainda que "o 1º ano do projeto de programação no 1º ciclo (2015-2016) incluiu cerca de 27 mil alunos e chegava, apenas, a cerca de um terço das escolas" e questiona: "Só há cinco mil alunos no 2º ciclo? Como se justifica a igualdade de oportunidades só para alguns?".

O projeto GEN10S, ao qual as escolas do 2.º ciclo se podem candidatar desde segunda-feira, é promovido pela SIC Esperança, em parceria com a associação espanhola Ayuda en Acción e a Google.org.

Em comunicado, os professores de informática dizem ainda não entender "como a tutela aceita uma situação vinda de entidades privadas a receitar o 'Scratch', que por acaso até é um recurso gratuito do MIT [Massachusetts Institute of Technology], [que] pode ser usado por qualquer pessoa, sem ter de pedir autorização a estas entidades".

"Mas a gravidade está no facto de se estar a 'impingir' uma linguagem. Esta escolha sempre foi da responsabilidade do professor, tanto em contexto formal, como informal, sempre foi uma opção do professor conforme o cenário de aprendizagem, as condições da sala de aula e o projeto a desenvolver. Temos dúvidas sobre este processo", insistem.

"Afinal o que se pretende é desenvolver competências ou formatar os alunos para o 'Scratch'? Onde fica a tal flexibilidade curricular? E a autonomia do professor?", questionam os docentes de informática, que dizem sentir-se ultrapassados.

Na cerimónia de apresentação do projeto, na segunda-feira, o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, destacou a importância de adquirir competências digitais, sublinhando que são "tão essenciais como ler, contar e até pensar".

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