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Professores voltam a sair à rua e admitem greve aos exames

Professores voltam a sair à rua e admitem greve aos exames

Os professores vão realizar "um grande encontro" em Março no Campo Pequeno, em Lisboa, que terá em seguida "expressão de rua". Está ainda prevista uma marcha nacional a 2 de Abril e greve às horas extraordinárias a partir de Março.

Foi esta quinta-feira anunciado um conjunto de medidas de contestação à política do Governo, que envolvem toda a comunidade educativa numa marcha nacional a 2 de Abril, em Lisboa, pela qualidade do ensino.

Hoje é lançado em todo o país um manifesto em dois formatos; um para recolha de assinaturas nas escolas e na rua e outro destinado a obter apoios institucionais. Sob o lema "investir na Educação, defender a Escola", o manifesto será depois entregue ao Governo e à Assembleia da República.

Os professores prometem "encher o Campo Pequeno" e sair à rua, a 12 de Março, e vão ainda fazer greve às horas extraordinárias a partir de 1 de Março.

As medidas foram anunciadas pelo secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), Mário Nogueira, na conferência de imprensa que marcou a apresentação da Plataforma da Educação, constituída por diversas organizações representativas dos professores, trabalhadores não docentes e também as confederações de pais (CONFAP e CNIPE).

"O que nos juntou foi a grande preocupação com os fortíssimos cortes orçamentais e políticas muito negativas que terão um forte impacto na organização das escolas e seu funcionamento", explicou Mário Nogueira, defendendo que a manter-se o actual rumo, a educação será conduzida para "um beco sem saída".

As condições nas escolas estão a degradar-se ao ponto de já não terem dinheiro para contactar normalmente os pais, denunciou o dirigente da Federação de Sindicatos da Função Pública Luís Pesca, ao ler um bilhete de uma escola de Santarém - feito numa sobra de papel - para informar os pais que registassem nos seus telefones o número da escola porque em caso de urgência receberiam um toque para contactarem a escola. Razão: "restrições orçamentais".

Pelo Sindicatos dos Inspectores da Educação e do Ensino (SIEE) Filomena Aldeias denunciou que a actividade destes profissionais se torna praticamente impossível pelas restrições às despesas de deslocação e ao "número de residual" de inspectores: menos de 200 para um universo superior a 10 mil escolas públicas e privadas.

Fazem também parte da plataforma a Associação Sindical de Professores Licenciados (ASPL), a Federação Nacional do Ensino e Investigação (FENEI) a Associação Sindical dos Professores Pró-Ordem, o Sindicato dos Professores e Educadores Licenciados pelas Escolas Superiores de Educação e Universidades (SEPLEU), o Sindicato Nacional dos Profissionais de Educação (SIPE), o Sindicatos dos Professores do Pré-Escolar e do Ensino Básico (SIPPEB) e o Sindicato Nacional dos Professores Licenciados pelos Politécnicos e Universidades (SPLIU).

O movimento integra ainda a Delegação Nacional de Associações de Estudantes do Ensino Secundário e Básico (DNAEESB), o Sindicato Nacional dos Psicólogos (SNP) e o Sindicatos dos Trabalhadores da Administração Local (SATL).