Investimento

Projeto Tejo quer resolver problema da água e investir 4500 milhões de euros

Projeto Tejo quer resolver problema da água e investir 4500 milhões de euros

O "Projeto Tejo - Aproveitamento Hidráulico de Fins Múltiplos do Tejo e Oeste", um investimento de 4,5 mil milhões de euros, pretende fornecer água a 300 mil hectares das regiões do Ribatejo, Oeste e Setúbal nos próximos 30 anos.

Trata-se de um projeto desenvolvido por um grupo de especialistas que se encontra agora numa fase de apresentações para captação de financiamento, disse à Lusa um dos mentores.

Associado à "rega de uma vasta área do território nacional, à sua drenagem, ao controlo das cheias e ainda ao controlo da cunha salina que sobe sobre o rio Tejo acima nos períodos mais secos", o projeto aponta para a "navegabilidade do rio Tejo, com as vantagens daí decorrentes, nomeadamente ao nível do turismo, do lazer, da pesca, da aquacultura e do transporte fluvial", entre outros, destacou Jorge Froes, engenheiro agrónomo.

Segundo Jorge Froes, "a ideia de encontrar uma solução para combater a seca e os efeitos das alterações climáticas no Ribatejo e os baixos caudais do rio Tejo começou no verão passado, após uma conversa com amigos especialistas na área".

Esta iniciativa pretende ser "uma referência a nível ambiental, por levar ao abandono progressivo das águas subterrâneas, permitir a recuperação das linhas de água e possibilitar a recuperação de zonas ambientais sensíveis, nomeadamente, pauis e salinas", elencou o especialista.

"Este projeto prevê-se que atinja quase o dobro da área que o Alqueva irá regar", salientou, destacando a criação de "um espelho de água contínuo através da construção de seis açudes até quatro metros de altura entre Abrantes e Lisboa, com escada passa-peixes e mini-hídricas que vão tornar o Tejo navegável, e com estações elevatórias que vão permitir bombar a água para as encostas da Lezíria e também da zona Oeste".

O projeto, especificou, pretende equipar com um sistema de rega "uma área que poderá ir até aos 300 mil hectares, dos quais 240 mil no Ribatejo, 40 mil na região Oeste e 20 mil em Setúbal, integrando e modernizando, caso os mesmos o pretendam, os regadios coletivos já existentes, nomeadamente no Sorraia, Lezíria Grande, Carril, Alvega, Cela, Alvorninha, Sobrena, Óbidos e Liz".

Atualmente, observou, "regam-se cerca de 100 mil hectares, com o Ribatejo e Oeste em contínua recessão ao nível agrícola e de água" e alertou que, "se não fizer nada agora, em 20 anos, a situação tenderá a piorar".

Para o efeito, Jorge Froes disse que, "ao invés de construir novas barragens, a ideia é usar os caudais que a EDP já dispõe através das barragens que gere, nomeadamente as de Pracana, Fratel, Belver, Cabril e Louçã", estando em curso conversações para o efeito.

Além disso, o projeto prevê a construção de seis açudes insufláveis no Tejo, de baixo perfil, com características similares ao que já existe em Abrantes.

O investimento global rondará aproximadamente 4500 milhões de euros, dos quais 1900 milhões de euros são inerentes ao sistema primário (barragens, açudes, estações elevatórias e adutoras), 2090 milhões de euros aos sistemas secundários (estações elevatórias e redes de rega) e 420 milhões de euros para sistemas complementares (drenagem, viário, elétrico e outros).

"A curto prazo, a obra poderá arrancar com a construção do Açude de Valada e de dois blocos de rega, a Norte e Sul, numa área total de 12.000 hectares, num investimento inicial na ordem dos 120 milhões de euros", referiu Jorge Froes, tendo reiterado que o projeto pretende "dar uma nova vida a um Tejo que se encontra doente e às regiões do Interior".

"Vai permitir, futuramente, a navegabilidade do Rio Tejo e, em termos turísticos, o potenciar de uma nova realidade no Ribatejo. A própria navegabilidade vai facilitar o transporte das mercadorias e de outros produtos. Vai potenciar, na região, as visitas, as dormidas, o enoturismo, os produtos regionais e a abertura a novos negócios. Essa navegabilidade permite uma vigilância constante para uma melhor qualidade da água e um controlo efetivo dos eventos poluidores", afirmou.

Quanto ao financiamento, Jorge Froes disse que o projeto está a ser apresentado a várias entidades, públicas, privadas e governamentais, com "bom acolhimento", e que, a ser aprovado, deverá ser implementado recorrendo essencialmente a capitais públicos, "grande parte do Estado e Comunidade Europeia.

Os estudos preliminares, estimados entre 300 mil e 400 mil euros, deverão estar concluídos até ao final do presente ano 2018.