Finanças

PS atacado à esquerda e direita por causa dos números de Centeno

PS atacado à esquerda e direita por causa dos números de Centeno

Bloco de Esquerda, CDS-PP e PCP criticaram esta quarta-feira o PS e as estimativas financeiras apresentadas pelo ministro Mário Centeno sobre o custo de uma medida que contabilizasse a totalidade do tempo de serviço dos professores.

Após uma intervenção do dirigente socialista Porfírio Silva, em plenário, na Assembleia da República, a deputada do Bloco de Esquerda Joana Mortágua agarrou nas mais recentes conclusões da Unidade Técnica de Apoio ao Orçamento (UTAO) para apontar que não se confirmam os 800 milhões de euros de custo anual invocados pelo ministro das Finanças caso fossem contabilizados os nove anos, quatro meses e dois dias reclamados pelos professores.

Joana Mortágua contrapôs que a despesa líquida para o Estado, depois de impostos e contribuições para a Segurança Social, será no máximo, segundo a mesma UTAO, na ordem de metade, ou seja, cerca de 400 milhões de euros.

"Centeno mentiu, quis enganar o país. E o PS não tem vergonha quando aceita estes números falseados e quando promove uma campanha contra os professores por razões eleitoralistas?", questionou.

A resposta de Porfírio Silva foi seca: "Vejo que o Bloco de Esquerda está agora muito entusiasmado com a UTAO, o que representa uma mudança política muito interessante do Bloco de Esquerda", disse.

Tal como Joana Mortágua, também a deputada do CDS-PP Ana Rita Bessa se insurgiu contra as estimativas de custos apresentadas pelo Governo.

Ana Rita Bessa, como depois faria a deputada do PEV Heloísa Apolónia, centrou a sua intervenção no facto de o PS ter aprovado em 2017 uma resolução a favor da contabilização total do tempo de serviço dos professores.

"O PS é hipócrita", declarou Ana Rita Bessa, com Porfírio Silva a reagir pouco depois, alegando que, na altura em que essa resolução foi aprovada, "não era claro qual o tempo de serviço, razão pela qual estão nela inscritos os nove anos".

Pela parte do PSD, o deputado Pedro Pimpão considerou que ao país está "perante uma farsa" montada pelo primeiro-ministro, António Costa, e que "os professores foram instrumentalizados por mero taticismo político".

Porfírio Silva contra-atacou com uma pergunta: "A sua bancada [do PSD] esteve ou não na quinta-feira permanentemente ao telefone com o dr. Rui Rio. Das duas uma, ou mentiram os senhores, ou mentiu o dr. Rui Rio!".

"Não vou perguntar isso [à vice-presidente da bancada do PSD] Margarida Mano, porque nesse Grupo Parlamentar não tiveram, sequer a delicadeza de a deixar falar neste debate. Deixaram-na cair, como fez o vosso presidente" Rui Rio, declarou.

Pela parte do PCP, Ana Mesquita salientou que a contabilização total do tempo de serviço dos professores "foi reconhecida em vários orçamentos do Estado" e lamentou que o PS tenha "feito uma operação de chantagem pela sua sede de maioria absoluta".

Ana Mesquita acusou ainda o PS de recorrer à tática de "colocar trabalhadores contra trabalhadores", agitando "o papão dos números, que, no entanto, não tem quáquer suporte real".

"Tudo isto apenas para amedrontar os portugueses", concluiu a deputada comunista.

Porfírio Silva, membro do Secretariado Nacional do PS, respondeu com uma advertência: "Não pomos trabalhadores contra trabalhadores e também não queremos pôr os professores contra a escola pública".

"Os senhores estão a cavar a cova da escola pública até a direitas estar contente com a vossa estratégia, até as pessoas começarem a procurar os privados", referiu.