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PSD diz que Saúde está ao "Deus-dará" e Costa refere estado de nervos do partido

PSD diz que Saúde está ao "Deus-dará" e Costa refere estado de nervos do partido

O líder parlamentar do PSD acusou hoje o Governo de deixar a saúde dos portugueses aos "Deus-dará", com o primeiro-ministro a questionar o estado de saúde interna dos sociais-democratas, que considerou terem os nervos "à flor da pele".

No debate quinzenal com António Costa, Fernando Negrão voltou a questionar o primeiro-ministro sobre atrasos em marcações de consultas e sobre o aumento da dívida do Serviço Nacional de Saúde.

"Estão a deixar a saúde dos portugueses aos Deus-dará", acusou.

Na resposta, o primeiro-ministro admitiu que "é mau haver dívida", mas salientou que tal significa despesa realizada com o setor da saúde e que a dívida diminuiu cerca de 40% em 2018.

Perante grande vozearia da bancada do PSD, António Costa fez uma referência implícita à situação conturbada no PSD, que hoje deverá ver o antigo líder parlamentar Luís Montenegro desafiar o presidente Rui Rio para convocar diretas antecipadas.

"Mas estão tão nervosos hoje, porque é que será? Estão mesmo com um problema de saúde, à flor da pele", ironizou o primeiro-ministro, comentário que não mereceu resposta de Negrão.

O líder parlamentar do PSD começou a sua intervenção pela questão do investimento público, dizendo que não existe "amplo consenso" porque o Governo do PS "desinvestiu em 2015, 2016 e 2017".

Em 2017, atingiu-se mesmo um "recorde negativo" dos últimos 60 anos, argumentou o deputado.

"O que aconteceu para só agora se lembrarem do investimento publico?", questionou, ouvindo-se deputados do PSD a dizer, num aparte: "São as eleições."

O primeiro-ministro acusou PSD e CDS de serem contra o investimento público, a favor do investimento privado e recordou argumentos dos partidos da direita nos últimos anos, de que o Governo do PS se prepararia para um "regresso ao socratismo", "à megalomania", ao endividamento.

Negrão acusou então Costa de ter "prometido tudo a todos" e "ter falhado nas promessas aos portugueses", com consequências na "degradação dos serviços públicos" e no aumento das greves.

"Gostava que concretizasse e me dissesse o que prometi e não cumpri e que esteja na origem de qualquer greve em curso. O que foi prometido e não cumprido a enfermeiros, a professores, a qualquer outra carreira em situação de protesto?", questionou António Costa.

O líder parlamentar do PSD não respondeu em concreto à pergunta, dizendo que é função dos deputados fiscalizar a atividade do Governo, e não do executivo questionar os parlamentares.

"Não resolve um único problema do país nem do passado nem do presente, resolve todos os problemas do país no futuro, é essa a sua linha de atuação", criticou Negrão.

Também aqui o primeiro-ministro respondeu de forma irónica: "Agradeço a confiança que revela quanto ao nosso futuro e de resolver os problemas no futuro, partilho essa confiança".

O líder parlamentar do PSD introduziu ainda no debate o tema dos combustíveis, acusando o Governo de ter dado com uma mão a baixa de 3 cêntimos na gasolina e depois ter "retirado pela calada" com a outra, através do aumento da taxa de carbono.

António Costa sublinhou que esse aumento da taxa de carbono já estava previsto no Orçamento do Estado aprovado pelo parlamento e desafiou o PSD a esclarecer a sua posição face ao problema das alterações climáticas, que classificou como "o maior desafio da humanidade", numa altura em que o PSD já não tinha tempo de resposta.