Educação

Quase metade dos alunos do secundário escolhe um curso profissional

Quase metade dos alunos do secundário escolhe um curso profissional

Portugal tem como objetivo chegar a 2020 com metade dos jovens do secundário inscritos em cursos profissionais, mas a meta estava ainda longe de ser alcançada, em 2016.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico reconhece que Portugal tem apostado no ensino profissional, como forma de combater o abandono escolar e facilitar o acesso dos jovens ao mercado de trabalho. Um relatório divulgado na manhã desta terça-feira nota que os 41% de inscritos em cursos profissionais deixa o país ainda longe da meta de 50% definida para o ano de 2020.

A maioria dos jovens portugueses escolhe estudar uma área dos serviços, ao contrário do que sucede na OCDE, onde preferem a indústria, engenharia e construção.

Todos os anos, a OCDE publica o relatório "Education at a Glance", onde retrata o estado da educação nos vários países. Ao longo dos anos, a organização tem reconhecido o avanço de Portugal, mas mesmo assim a qualificação da população continua muito abaixo da média dos restantes países.

Ainda hoje, a pesar da sucessão de programas de qualificação de adultos como o Novas Oportunidades, mais de metade dos portugueses ainda não tem o ensino secundário. Com a renovação das gerações, contudo, o cenário vai alterar-se: na década que vai de 2007 a 2017, a percentagem de jovens adultos com a escolaridade mínima obrigatória completa passou de 44% para 70%. "É de longe o maior aumento da OCDE", apesar de ainda estar abaixo da média de 85%, diz o relatório.

O caminho percorrido no ensino superior é semelhante. No ano passado, 34% dos jovens adultos acabaram um curso - mais do que os 21% de há uma década, mas ainda assim dez pontos percentuais abaixo da média da OCDE. A manter-se esta evolução, a OCDE estima que 40% dos atuais jovens terão um canudo (menos do que os 49% da média da OCDE).

Pré-primária acima da média

A exceção ao panorama das fracas qualificações dos portugueses é o ensino pré-primário, no qual Portugal está bem classificado. Na década entre 2005 e 2016, a taxa de inscrição no sistema de ensino das crianças até aos três anos aumentou de 64% para 83% e a dos meninos de quatro anos cresceu 79% para 90% - ambas acima da média dos países da OCDE. É um sinal positivo,

Apesar do aumento do número de crianças na escola, os cortes feitos durante a "Troika" levaram à redução em 9% do número de professores. Diz a OCDE que, em 2016, cada professor do pré-primário tinha a seu cargo 17 crianças, mais três do que a média da organização.