Europeias

Rangel acusa Costa de promover candidato à custa de "recursos públicos"

Rangel acusa Costa de promover candidato à custa de "recursos públicos"

O candidato do PS ainda não é formalmente conhecido, ainda que seja dado como certo que venha a ser o ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques.

Mas, Paulo Rangel acusou o Governo de andar a promover um candidato "disfarçado de ministro".

Segundos depois de ter sido anunciado como cabeça de lista do PSD às eleições Europeias, esta quinta-feira, Paulo Rangel pôs debaixo de fogo António Costa, a quem desafiou, "o quanto antes" a dizer "se o Governo está a utilizar recursos públicos e aproveitar um cargo ministerial para promover um candidato".

Na sede nacional do PSD, em Lisboa, o eurodeputado Paulo Rangel defendeu que, "neste momento, subsiste a legítima suspeita de que houve o aproveitamento de um cargo ministerial para engendrar, lançar e promover um candidato".

"Não nos compete fazer fé em especulações mediáticas, mas, diante do risco de termos tido, nos últimos dois meses um candidato disfarçado de ministro, e um ministro em campanha dissimulada, desafio o primeiro-ministro António Costa a fazer um esclarecimento", apontou Rangel, que pode ter, assim, dado o tiro de partida para um tom que deve vir a marcar a pré-campanha eleitoral das Europeias, marcadas para 26 de maio.

A arrancar para a terceira corrida ao Parlamento Europeu, depois de já ter sido cabeça de lista em 2009 e 2014, Paulo Rangel traçou um retrato da herança negra que Pedro Marques deixará na pasta que ocupa: a "passividade", "conformismo" e "complacência" nas negociações com a União Europeia em relação aos fundos 2020-2027.

"Em Bruxelas, o ministro do Planeamento contenta-se e conforma-se com uma proposta da Comissão para as próximas perspetivas financeiras em que Portugal perde 7% dos fundos de coesão, enquanto países bem mais ricos aumentam a sua dotação", apontou. "Que negociação de fundos e quadro financeiro é esta em que a política de coesão beneficia os países mais ricos e mais desenvolvidos e penaliza Portugal?", questionou, então.

"Uma boa parte desta situação, má execução dos fundos comunitários, reprogramação que prejudica e discrimina as regiões mais pobres e periféricas de Portugal, má negociação das perspetivas futuras, deve-se à condução política do Governo Costa", acentuou.

Pedro Marques deixa - descreveu Rangel - "por executar mais de 80% das obras que estavam previstas". "Este é o Governo que se limitou a executar 35% dos fundos europeus das perspetivas financeiras 2014-2020. E agora, na reta final, anúncios e mais anúncios, de centenas de milhões, para dez e quinze anos".

PSD contra voto por maioria

Rangel também desafiou Costa a assumir qual a posição de Portugal em relação à proposta da Comissão Europeia, que quer, "em três domínios, se transite da regra da unanimidade para a regra da maioria qualificada".

"Tendo em conta a complexidade atual da situação internacional, o Brexit, a nossa vocação atlântica, africana e global, fará sentido, nesta altura, que Portugal prescinda de uma possibilidade de veto de último recurso?", argumentou o social-democrata, lembrando que "Timor não seria hoje independente se as decisões política externa da União não fossem tomadas por unanimidade".