Hospitais

Reclamações na saúde aumentam 20% num ano

Reclamações na saúde aumentam 20% num ano

Os portugueses estão cada vez mais insatisfeitos com os serviços de saúde. As queixas dos cidadãos cresceram 20% num ano. Ao todo, foram reunidas 83723 reclamações. Os tempos de espera são a categoria mais mencionada e a região de Lisboa o palco da maior quantidade de problemas, de acordo com um relatório da Entidade Reguladora da Saúde, ERS.

Por partes. O Sistema de Gestão de Reclamações, SGREC, da ERS, juntou 97353 processos, em 2018, entre reclamações, elogios e sugestões. Queixas foram 86%, portanto, 83723 processos. No ano anterior, tinha sido registado um total de 80049 casos e, destes, 87% correspondiam a avaliações negativas. Ou seja, 69642 casos de reclamações.

Numa análise comparativa simples do número de processos recebido pelo regulador, sublinhe-se o aumento de 74% em quatro anos. Em 2015, tinham sido mais de 55 mil e em 2018, mais de 97 mil. Refira-se que 16% desta realidade já diz respeito a queixas submetidas por e-mail, carta ou fax.

O tempo de espera para atendimento e o tratamento sem meios adequados, nomeadamente, sem o grau de humanização esperado para a situação do doente são os principais motivos de insatisfação, correspondendo a 24% e 17% dos processos.

Dentro do tema "tempo de espera", a categoria atendimento não programado, urgente, portanto, superior a uma hora, disse respeito a 64% das situações: uma subida de dois pontos face aos 62% do ano anterior.

E os problemas ganham expressão na região de Lisboa e Vale do Tejo. Foi na área da capital que se registou um maior volume de processos, mais de metade, 55%, bem como o número mais elevado de queixas por 1000 habitantes.

Por entidade, a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo foi a mais criticada pelos utentes, com quase o triplo dos processos da administração regional de Saúde do Porto: 12233 processos contra 5509. A seguir aos dois grandes centros urbanos, neste ranking negativo, figura o Centro Hospitalar universitário do Algarve.

Os hospitais e unidades de saúde públicas foram os visados pelas reclamações dos utentes (67%), posicionando-se em segundo lugar o setor privado (23%). A gestão em regime público-privado mereceu 8,9% de processos e as ligadas a instituições sociais, 1,2%.