Incêndios

Reforma florestal tem de ser feita agora, diz António Costa

Reforma florestal tem de ser feita agora, diz António Costa

"Esgotou-se o tempo comprado há dez anos com a reforma da Proteção Civil", afirmou o primeiro-ministro, que visitou esta segunda-feira a Porta do Mezio, em Arcos de Valdevez.

A aposta na prevenção e reorganização da floresta foi a mensagem dominante de António Costa que, além da "mão criminosa", falou também em "mão negligente" na origem dos incêndios.

"A prevenção passa por ter uma floresta devidamente estruturada e não uma ameaça constante para as pessoas", sendo as "áreas protegidas onde deve existir excelência na prevenção", reiterou.

Em Arcos de Valdevez, os incêndios consumiram 5,6% da área natural do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), o que corresponde a 1800 hectares de floresta.

O primeiro-ministro afirmou ainda que é necessário acabar com um mito que prevalece quando se fala em incêndios: gasta-se muito dinheiro no combate aos incêndios e pouco dinheiro na prevenção e há a ideia de que o combate tira dinheiro à prevenção, "mas é a falta de prevenção que faz gastar muito dinheiro no combate".

A reforma do sector florestal é fundamental e tem de ser feita agora, defendeu António Costa, enquanto a memória dos incêndios ainda está presente na mente das pessoas.

"Na fase em que estamos, não devemos ter medo de Marias da Fonte" sublinhou, para defender a necessidade de se dar início ao processo de cadastro do terrenos florestais.

"Ninguém quer tirar nada a ninguém, mas para todas as zonas abandonadas, a posse deve ser dada às autarquias. Não podemos ter uma floresta que não rende o que devia render e que ameaça a população", acrescentou.

Presente na reunião em Arcos de Valdevez, o ministro do Ambiente admitiu que a nível nacional os incêndios do PNPG é mais preocupante e defendeu "a proximidade entre os diferentes agentes que estão no território" para a prevenção, com destaque para o papel das autarquias.

Matos Fernandes anunciou que os planos de ordenamento das áreas protegidas deverão estar concluidas em 2018, "com um conceito claro de desenvolvimento para o território que é compatível a promoção da biodiversidade."

O ministro deixou ainda a garantia de que será aberto um aviso de candidatura específico ao POSEUR para o PNPG. "Todos os investimentos que tiverem que ver com a necessidade de adaptação do território com alterações climáticas serão cofinanciadas a 95%", garantiu.

O ministro da Agricultura deixou a garantia de que estão a ser mobilizados um conjunto de apoios para os agricultores e produtores florestais. Capoulas Santos afirmou que os apoios poderão chegar a 80% para riscos não cobertos por seguro e até 50% para quem não fez seguro.

Para os produtores florestais, está em marcha um conjunto de apoios que evitem "outra tragédia com as primeiras chuvas, com a erosão", explicou, e prevê financiamento entre os 90 e 100%.

"Portugal é o único estado da UE que em 15 anos perdeu 150 mil hectares de floresta, por isso, há que travar esse processo e recuperar essa área florestal que prevemos conseguir dentro de uma década", concluiu Capoulas Santos.

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