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Risco de cisão no PSD não está afastado

Risco de cisão no PSD não está afastado

Analistas apontam cenário de "rancor" difícil de ultrapassar. Dependendo de quem ganhar hoje no PSD, o partido pode caminhar para a unidade ou para a cisão.

O JN ouviu os especialistas Rui Ramos (Ciência Política) e João Cardoso Rosas (Teoria Política) sobre a questão de haver ou não algum candidato mais bem colocado para serenar o partido e evitar o "risco de alinhamentos" de que falava ontem o presidente da Câmara do Porto, Rui Rio.

"Eu colocaria a pergunta da seguinte maneira: para qual dos candidatos é que o desafio pós-eleitoral será menor?", começa por dizer Rui Ramos, investigador principal do Instituto das Ciências Sociais.

É que, sustenta, "será difícil para todos". "Pedro Passos Coelho é o menos afectado pelo regime de rancor e ressentimento que domina o partido". "É dos três (Patinha Antão à parte) aquele para quem a fasquia para ser aceite pelos militantes é mais baixa".

Segundo Rui Ramos, com um resultado eleitoral inferior a 60%, nem Manuela Ferreira Leite, nem Pedro Santana Lopes farão a "síntese" no partido. "Por causa dos episódios de ódio, não lhes basta ter mais votos, têm de esmagar".

Não por acaso, a candidatura de Passos Coelho lança hoje, dia da votação, o cartaz "Todos juntos por Portugal". "A unidade depende sempre de quem ganhar e dos sinais que der nos primeiros dias", disse ao JN o director de campanha, Miguel Relvas. Rui Ramos não tem a certeza de que a unidade do PSD seja a solução. "O que sei é que dois deles dificilmente a podem fazer". E "não faz cisões quem quer, mas quem pode", enfatiza, lembrando a cisão do partido que ocorreu com Sá Carneiro. "Se Pedro Santana Lopes ganhar, cria-se uma situação muito difícil porque as chamadas elites tenderão a aprofundar o distanciamento", corrobora João Cardoso Rosas, professor na Universidade do Minho. O PSD corre o risco de "entrar na fase final de um processo que tem vindo a acentuar" o populismo.

Sendo Santana o candidato "mais vulnerável ao risco de indefinição ideológica", a sua vitória "empurrará o partido para o populismo" e "nesse caso cria-se espaço para o surgimento de uma nova força política da área da Direita", sublinha.

Neste sentido, as palavras ao JN do ainda secretário-geral do partido, Ribau Esteves, ao são sintomáticas da tensão interna: "Se não existir tranquilidade, sobretudo perante um resultado em que nenhum dos candidatos se destaque, o PSD pode ter um problema que não acaba tão cedo".

O apoiante de Santana Lopes sustenta ainda que "a crise económica e social, criando uma perspectiva de poder, pode fazer com que alguns espíritos baixem a nobreza da luta".