Polémica

Rocha Andrade fala em "desarranjo intestinal" na "barafunda" das nomeações de familiares

Rocha Andrade fala em "desarranjo intestinal" na "barafunda" das nomeações de familiares

O ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais e atual deputado do PS, Fernando Rocha Andrade, insurgiu-se, numa publicação no Facebook, contra as sucessivas notícias que dão conta da nomeação de familiares e militantes do PS para cargos de confiança política. E acusa os críticos, que se recusam a definir qualquer critério de relevância, de "desarranjo intestinal".

"Ouvi hoje o primeiro-ministro pedir precisamente que quem critica explicitasse as regras em que baseia a crítica. Claro que ninguém o quer fazer. Há pessoas que evitam a clareza porque a barafunda moral lhes convém. De caminho, vão alargando a malha a parentescos cada vez mais distantes com um universo cada vez maior de pessoas, a afinidades que até já são do passado, ou vão mesmo inventado parentescos que não existem. Sempre resistindo a definir qualquer critério de relevância ou a concretizar o conteúdo do tal dever ético que está em causa. Isto não é debate político, é desarranjo intestinal. Quem quer censurar, explicite o critério ético da censura e esteja disponível para o mesmo exercício no seu próprio universo. Se não o faz nem está, que vá à m**** porque não há pachorra", escreveu num post na rede social.

Na mesma publicação, Rocha Andrade confirma que, ao longo dos 30 meses em que exerceu funções como secretário de Estado, nomeou um chefe de gabinete e mais 11 pessoas para funções de assessor ou especialista. "Destas 12 pessoas, sei que 3 eram militantes do PS (e um militante do PSD, já agora). 11 eram pessoas que eu nem conhecia antes de ser nomeado. 5 vieram da AT e os outros de busca por quem estivesse disponível e tivesse as competências que precisávamos", disse.

Rocha Andrade garante que apenas num dos casos conhecia pessoalmente a pessoa que nomeou, uma jovem militante do PS da sua distrital, que estava a concluir o mestrado em fiscal na Católica Tax e a estagiar no departamento fiscal de uma sociedade de advogados em Lisboa, "competências não irrelevantes nos Assuntos Fiscais". A jovem, que nomeia como Catarina, era sobrinha de um seu amigo de mais de 20 anos, Jorge Sequeira, que acabou por ser eleito mais tarde presidente da Câmara de São João da Madeira.

Rocha Andrade garante que esse facto não foi irrelevante, até porque considera que "conhecer as pessoas não é irrelevante numa nomeação de confiança pessoal e política", mas garante que o amigo não lhe sugeriu que convidasse a sobrinha, ao contrário da pessoa que escolheu para chefe de gabinete, cujo conselho lhe pediu.

O post de Rocha Andrade insurge-se contra as críticas que têm vindo a público e cita em concreto as que foram feitas no debate quinzenal por Fernando Negrão, líder parlamentar do PSD, a quem acusa de "má fé".

"Tenho ouvido falar muito a este propósito de bom senso e de ética republicana. Ninguém me conseguiu contudo explicar em que medida a minha escolha foi insensata ou violou qualquer princípio ético. Porque se queremos falar de ética, então convém fazer o exercício de dizer qual é a regra, qual o imperativo universalizável que está em causa e é violado", escreve, enumerando uma série de perguntas que gostava de ver respondidas: "posso ou não posso nomear a sobrinha de um militante? Tenho ou não que a exonerar quando o tio ganha umas eleições? Qual é o grau de parentesco relevante, e de parentesco com quem, para eu saber o tamanho da árvore genealógica que teria que ter pedido a todos os meus outros adjuntos, que ignoro sinceramente se são ou não primos de algum socialista? ".