Política

Rui Rio diz que "o que comanda o PS é o vento"

Rui Rio diz que "o que comanda o PS é o vento"

O líder do PSD disse esta sexta-feira à tarde que "o PS cada vez mete mais os pés pelas mãos e não sai do sítio" e que "aquilo que está a comandar o PS é o vento". Rui Rio referia-se quer à proposta de lei do PS, entregue ontem no Parlamento, para criar regras para as nomeações em cargos de confiança política, quer ao "recuo" na questão dos deputados-advogados.

"Aquilo que está a comandar o PS é o vento, não tem convicções, não sabe o que quer. Sopra de um lado, vai para um lado, sopra do outro, vai para o outro", disse aos jornalistas em Vale de Cambra, referindo-se quer à proposta das nomeações para os gabinetes, quer à intenção do PS de mudar o sentido de voto na questão das incompatibilidades dos deputados-advogados que integrem sociedades que litiguem contra entidades públicas.

"Isso é o recuo do recuo", disse o líder do PSD, considerando que "o PS anda a correr atrás da demagogia porque vai eleições daqui a mês e meio".

A 29 de março, o PSD, com a abstenção do PS, alterou à última hora na Comissão da Transparência, um artigo do estatuto dos deputados que lhes permitiria continuarem a pertencer a sociedades de advogados que tenham litígios com o Estado. No texto inicial, os deputados eram impedidos de "integrar ou prestar quaisquer serviços a sociedades civis ou comerciais" que tivessem "funções como consultor, emitir pareceres ou exercer o patrocínio judiciário nos processos, em qualquer foro, a favor ou contra o Estado ou quaisquer outros entes públicos".

Na proposta entregue à última hora pelo PSD, os deputados passariam a deixar de poder "intervir em qualquer uma das atividades" de consultor, a emitir pareceres ou representar partes em processos a favor ou contra o Estado numa "sociedade civil ou comercial" em que preste serviço ou seja sócio. Por outras palavras, um deputado poderia continuar a trabalhar ou a ser sócio de uma sociedade de advogados, por exemplo, desde que não interviesse nos processos que esta pudesse ter relacionados com o Estado.

A decisão foi bastante contestada e ontem o PS decidiu que quer mudar a votação, estando para isso disponível para avocar a votação ao plenário.

Em relação à proposta para criar regras para as nomeações nos gabinetes, Rio considera que a proposta apresentada pelo PS não serve para nada. "Esta lei se estivesse em vigor mantinha-se tudo normal, não resolve nada", disse, insistindo que "o PS anda atrapalhado a limpar aquilo que fez", mas não impede as nomeações cruzadas para os gabinetes. "O próximo Governo pode fazer exatamente a mesma coisa que este fez se não tiver padrões éticos", disse, insistindo que não é preciso regras para os valores éticos. "Há questões de ética que estão na consciência e na seriedade de cada um", disse.

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