Nacional

Santana Lopes: "Em 2019, o PSD vai ganhar as legislativas pela terceira vez"

Santana Lopes: "Em 2019, o PSD vai ganhar as legislativas pela terceira vez"

Partiu em desvantagem e com uma experiência governativa que ameaçava ser mais um problema do que um trunfo. Mas Santana Lopes fez uma campanha sempre em crescendo.

Usou truques à moda antiga, mobilizou a máquina partidária, capitalizou as diferenças com o adversário, exibiu a personalidade combativa que sempre lhe atribuem no BI, falou mais para o partido e menos para o país, fazendo justiça ao slogan escolhido: "Unir o partido, ganhar o país". Santana colou-se a Pedro Passos Coelho ("Vou fazer-vos uma inconfidência: tornámo-nos grandes amigos e recorrerei sempre à sua palavra de sabedoria, ao seu conselho", confessou sexta-feira à noite) e a Marcelo Rebelo de Sousa (se se recandidatar a Belém, terá o seu apoio), e mostrou que nunca vira a cara a uma batalha. Quando o partido precisou dele, voltou a dizer "presente". Depois de três meses de uma "caminhada" que parecia reduzida à discussão sobre a personalidade dos candidatos, encontrou o argumento que pode ser decisivo: com ele, o PS não governará em minoria.

A segunda vitória acontecerá este sábado se se provar que conseguiu convencer o partido - partido que para ele tem nome e apelido: PPD-PSD - de que é a melhor solução dos dois caminhos possíveis: se vencer um candidato, o PSD vai ser a muleta do PS; se vencer outro candidato, o PSD vai ser a alternativa ao PS. Para já, nas três sessões de encerramento de campanha que fez num só dia (Lamego, Viseu e Maia) tentou demonstrar que não se limitou a desfilar o seu eterno ar blasé e que fez o trabalho de casa: apresentou um programa com 221 medidas, posicionou-se contra o PS e contra a extrema-esquerda, que acusa de querer "impor uma ditadura moral em Portugal", e prometeu devolver o poder ao PSD. "Em 2019, vamos ganhar as eleições legislativas pela terceira vez", anunciou. Chega às eleições internas da social-democracia empatado com Rui Rio, que está no terreno há um ano.

No Hotel Grão Vasco, na "sala talismã" de Almeida Henriques, autarca de Viseu e seu mandatário nacional ("Eu mostro o meu mandatário, tenho orgulho nele, não o escondo", disse numa referência à ausência de Nuno Morais Sarmento na campanha de Rio), Santana Lopes pisou e repisou o trunfo que pode dar-lhe o troféu. "Ponham-se no lugar de António Costa", pediu. "Imaginem o que vai na cabeça dele, neste momento", continuou. "Deve estar a acender uma vela - e com razão. Rui Rio, se ganhar, já disse que vai fazer essa enormíssima irresponsabilidade que é dar a mão a um governo minoritário do PS." Por isso, concluiu, "António Costa talvez até esteja a acender mais do que uma vela, para dar mais força, pensando que tem a sua vida resolvida por vários anos."

Com Santana, o desfecho das legislativas de 2019 será outro. "Que amor-próprio seria o deste partido se fosse substituir o PCP e o BE num governo socialista?", perguntou. E recorreu à História, andou para trás até 1978, até um congresso do PPD-PSD no Porto, em que Francisco Sá Carneiro foi o único a não querer dar a mão ao general Ramalho Eanes. "Foi o único a abster-se, demitiu-se da liderança nesse mesmo dia, e todos disseram que tinha acabado como político. No ano seguinte, venceu com maioria absoluta."

O homem que deixou a presidência da Santa Casa da Misericórdia em outubro passado para voltar a um lugar onde nem sempre foi feliz, quer repetir a história para devolver ao PPD-PSD a sua "essência", que encaixou numa trilogia: "Liberdade é a palavra que melhor casa connosco. Depois, é responsabilidade. E depois é preocupação com a igualdade de oportunidades". Sim, sublinhou, "porque política é fazer bem às pessoas".

Mas é também ajustar contas com os socialistas que criaram a geringonça. "Primeiro, têm de bater com a mão no peito, depois têm de pedir desculpa. E, finalmente, têm de restabelecer o direito constitucional de deixar governar quem ganha eleições." A sala

"Ousem comigo! Ousemos juntos!"

Em Viseu, onde o candidato foi recebido numa sala cheia, 200 pessoas, voltou a ouvir-se "Paz, pão, povo e liberdade" e Santana saiu a correr para a Maia, para voltar a encontrar um auditório cheio, 400 pessoas e, também, o último apoiante declarado, o ex-líder parlamentar Luís Montenegro, que chegou quase no fim da sessão mas ainda a tempo do abraço icónico. No encerramento, estiveram também o líder da distrital PSD/Porto Bragança Fernandes, o líder da bancada parlamentar Hugo Soares e o presidente da Câmara António da Silva Tiago.

Santana, que disse não trocar a "liberdade" pelo desejo, que não tem, de pôr alguém na ordem (novo remoque para Rio), voltou a repetir o discurso, mais cansado mas também mais inflamado. "Não temos medo, não nos subjugamos. Temos orgulho em nós próprios, não temos complexos. Não queremos ser um PS b ou um PS 2. Nós, o PPD/PSD 1, ganhamos duas eleições legislativas consecutivas com Pedro Passos Coelho e vamos ganhar a terceira."

De resto, partilhou, Passos, Cavaco Silva e Sá Carneiro são os seus três líderes preferidos. E explicou porquê: "Ele fez parte daqueles poucos líderes do PPD/PSD que incomodaram mesmo muito os nossos adversários. Mas precisou de sair para que os seus adversários lhe tenham dado a dimensão de estadista".

Aos militantes, Santana deixou dois apelos: que vão votar, mesmo que chova. E que ousem. "Ousem comigo! Ousemos juntos! E pensem bem, porque não há duas escolhas iguais."