Belém

UGT diz que sem acordo, mais vale "fechar a porta" da concertação

UGT diz que sem acordo, mais vale "fechar a porta" da concertação

O secretário-geral da UGT defendeu que deve haver um acordo sobre salário mínimo e legislação laboral em sede de Concertação Social, caso contrário, mais vale este órgão constitucional "fechar a porta".

"Se não houver acordo de concertação social, devo dizer-vos, vale mais fechar a porta e acabarmos com a concertação social em Portugal. Esse é o caminho para os parceiros que não quiserem estar disponíveis para um acordo de concertação: fechar a porta e acabar" com a Comissão Permanente de Concertação Social (CPSC), declarou.

Carlos Silva assumiu esta posição em declarações aos jornalistas no final de uma reunião com o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, no Palácio de Belém, manifestando-se incomodado por o Governo ter feito um acordo sobre o aumento do salário mínimo com o Bloco de Esquerda, à margem da concertação social.

"Por que diabo é que nós não havemos de estar incomodados por na concertação social pela primeira vez em tantos anos - existe há 30 anos a concertação - o salário mínimo ser discutido entre partidos e não entre nós? Se quem investe e cria emprego são os patrões e quem precisa de trabalho e quem é empregado são os trabalhadores?", questionou.

"Se nós somos os principais interessados, devemos ser nós os primeiros e os últimos a serem ouvidos e a dar o nosso contributo", defendeu o secretário-geral da UGT.

Há "sinais de inquietude" na banca

Carlos Silva afirmou ainda que "há sinais de inquietude" no sistema financeiro, relacionados com a Caixa Geral de Depósitos (CGD) e restante banca, que preocupam esta central sindical e também o presidente da República.

Segundo o secretário-geral da UGT, nesta reunião falou-se, embora "de forma muito superficial", sobre o sistema financeiro, "e naturalmente que o senhor Presidente está preocupado, porque ainda continua a haver alguma incerteza em relação ao futuro, quer em relação à Caixa, quer em relação à restante banca".

"Há aí ainda alguns sinais de inquietude que preocupam o presidente e preocupam também a UGT", acrescentou.

Sobre esta matéria, a UGT transmitiu ao chefe de Estado "a necessidade de estabilizar o sistema financeiro para fazer aquilo que é o seu destino, que é financiar a economia", referiu ainda Carlos Silva.